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Publicado em 04/01/2017Traço de concreto: por que controlar a umidade da areia?
A falta de atenção com o teor de água presente na areia pode levar à perda de resistência do concreto e prejudicar a permeabilidade do materialCréditos: Bogdanhoda/shutterstock

Traço de concreto: por que controlar a umidade da areia?

Agregado miúdo pode modificar o traço e comprometer a qualidade do concreto

Um dos componentes indispensáveis para a produção do concreto, a areia tem papel determinante para garantir a qualidade da mistura final, impactando características como resistência, durabilidade e trabalhabilidade. Neste texto, que faz parte da série de reportagens sobre Traço de Concreto, você vai entender por quê.

Entre as propriedades desse agregado, deve se ter especial atenção para a granulometria, umidade e pulvurulento, sendo este último muito relevante na demanda d’agua. “A falta de atenção com o teor de água presente na areia pode levar à perda de resistência do concreto e prejudicar a permeabilidade do material, implicando em patologias e pondo em risco a durabilidade da estrutura”, alerta o engenheiro Marcos Vinícius Magliano, gerente de desenvolvimento técnico de mercado Brasil Infraestrutura/Indústria da Votorantim Cimentos. A preocupação com a qualidade da areia se justifica ainda mais quando se percebe que 40% do que compõe o concreto é constituído de agregado miúdo.

Controle de umidade

Identificar o teor de umidade da areia é um cuidado necessário para, reduzir variações de água do concreto, o teor de água do agregado deve ser conhecido e descontado do total de água adicionado ao concreto. Isso pode ser feito por meio de vários ensaios previstos em normas técnicas brasileiras. É o caso do teste com frasco de Chapman, que segue às especificações da ABNT NBR 9775:2011.

Outra técnica para obter o teor de umidade da areia é por secagem da amostra via estufa, que consiste em pesar a areia úmida e a mesma quantidade de areia seca em estufa em busca de diferenças. Há, ainda, o método speedy, que fornece o teor de umidade por pressão. A areia é colocada em um cilindro com esferas metálicas e ampola de carboreto de cálcio. Em seguida, o cilindro é sacudido e verifica-se a pressão em um manômetro acoplado. Com base no valor da pressão é possível identificar o teor de umidade em uma tabela fornecida pelo fabricante do equipamento.

Outra análise pertinente é a determinação do inchamento do agregado, como preconizado na ABNT NBR 6467:2006 (versão corrigida em 2009). Como a areia aumenta de volume quando úmida ou revolvida, esse ensaio contribui para evitar prejuízos financeiros. De modo geral, o fornecimento de areia se dá por número de caminhões ou por metros cúbicos. “Se o construtor receber areia muito inchada, pode pagar por água, em vez de areia”, alerta o gerente da Votorantim Cimentos.

Mas de pouco adiantam ensaios precisos se os controles de umidade são realizados nos momentos indevidos. Nos agregados miúdos, recomenda-se que a análise ocorra de duas a três vezes ao dia, sempre observando as variações nas condições climáticas. Marcus Vinícius Magliano sugere – em especial para as concreteiras –, a utilização de sistemas de controle de umidade automatizados. Segundo ele, além de precisos e seguros, esses dispositivos agregam produtividade.

 

Análise da areia

Além do controle de umidade, há outros ensaios que ajudam a assegurar a qualidade da areia utilizada na fabricação do concreto. Entre os principais destacam-se os testes de composição granulométrica, importantes porque o tamanho do grão da areia afeta a trabalhabilidade.

Há, ainda, análises que visam detectar teores de material pulverulento e de impurezas orgânicas. De acordo com o engenheiro Egydio Hervé Neto, consultor especializado em tecnologia do concreto, esses ensaios são especialmente importantes diante a ocorrências de agregados reagentes com os álcalis do cimento. “Dependendo do grau de impureza da areia, a solução será descartar todo o lote adquirido ou lançar mão de meios para mitigar esta reação utilizando adições especiais caras e nobres, como é o caso da microssílica e o metacaulim”, explica o engenheiro.

Cuidados no armazenamento

Um aspecto decisivo para a manutenção das propriedades ideais do agregado miúdo diz respeito às condições de armazenamento. O recomendável é que esse material fique em um local de fácil acesso à descarga e próximo ao local de uso. Também é importante separar a areia de acordo com a data de chegada, assim como areias de granulometrias diferentes. O local de armazenamento deve ser protegido da chuva, em baias drenadas, de preferência cobertas. “Para evitar contaminações, a areia não deve ser depositada diretamente no solo, mas sempre ser colocada sobre um plástico ou lona”, finaliza o engenheiro Hervé Neto.

 

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