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Publicado em 30/08/2016Transporte de pré-fabricados de concreto exige logística complexa
O transporte de pré-fabricados – da fábrica até a obra – deve ser definido no projeto, antes do planejamento do canteiro

Transporte de pré-fabricados de concreto exige logística complexa

Se os elementos de concreto precisarem ser empilhados, eles devem ser intercalados com dispositivos de apoio, como cavaletes, caibros ou vigotas, constituídos ou revestidos de material suficientemente macio

Elementos pré-fabricados de concreto têm sido cada vez mais empregados em indústrias, shopping centers, supermercados e estádios de futebol, entre outros empreendimentos grandiosos. Para que o seu uso seja viável, é preciso considerar diversos fatores, como o transporte e a montagem, que geralmente exigem logística complexa.

A logística é dificultada porque, com frequência, as peças pré-fabricadas possuem grandes dimensões. Assim, precisam ser transportadas por veículos igualmente grandes. O posicionamento das peças durante o transporte também é importantíssimo, para que não se movimentem muito e não corram o risco de quebrar antes mesmo de chegarem ao seu destino.

Por conta de toda essa complexidade, a forma como as peças serão conduzidos da fábrica até a obra deve ser definida no projeto, antes do planejamento do canteiro.

Transporte

Segundo a engenheira Íria Lícia Oliva Doniak, presidente executiva da Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) e diretora de marketing do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto), o acesso à obra deve ser verificado pela equipe da fábrica antes do início da produção das peças e do fechamento do contrato, para que se possa definir o melhor trajeto.

A quantidade de peças a ser transportada depende do seu tipo, formato e peso, e deve atender às exigências das rodovias locais. “Em caso de peças muito grandes e mais complexas, transportes especiais e até batedores poderão ser requeridos”, recomenda a engenheira.

De acordo com a norma técnica NBR 9062/1985, se os elementos de concreto precisarem ser empilhados, eles devem ser intercalados com dispositivos de apoio, como cavaletes, caibros ou vigotas, constituídos ou revestidos de material suficientemente macio. Isso evita o atrito entre as peças e garante a estabilidade, impedindo tombamentos e deslizamentos longitudinais ou transversais durante o trajeto, principalmente nas freadas. Se houver necessidade de escoramento, não se pode introduzir esforços não previstos no cálculo dos elementos.

Montagem

A Abcic pretende lançar, até o final deste ano, um manual com as boas práticas de montagem de elementos pré-fabricados de concreto. Até lá a NBR 9062/1985 continua sendo a referência do setor.

De acordo com Doniak, as resistências para manuseio e desforma devem estar previstas no projeto da estrutura segundo o selo de excelência da Abcic, que segue normas técnicas nacionais e internacionais relacionadas à segurança, à qualidade e à sustentabilidade. “A resistência deve ser comprovada com base em ensaios de resistência à compressão do concreto para as idades de manuseio e desforma definidas. Se isso não for feito, as peças podem não resistir aos esforços iniciais, sofrendo não apenas danos estéticos, mas estruturais”, ela informa.

Os mesmos cuidados tomados no manuseio devem ser tomados no descarregamento, na chegada à obra: os elementos pré-fabricados precisam ser suspensos e movimentados por máquinas, equipamentos e acessórios dispostos em pontos de suspensão nas peças de concreto – pontos esses que também devem ser definidos no projeto. Assim, evitam-se choques e movimentos abruptos. As máquinas de suspensão – balancins, cabos de aço, ganchos, entre outros – são dimensionadas de acordo com as solicitações dinâmicas.

Doniak lembra que as ligações provisórias – que unem as peças pré-fabricadas de concreto – são itens muito importantes. “O projeto deve prever essas ligações, que podem ser provisórias ou definitivas. As provisórias conferem estabilidade global à estrutura durante a montagem e devem cumprir rigorosamente as normas, pois o descumprimento pode levar a acidentes graves”, alerta a especialista.

Para o manuseio perfeito das peças, os equipamentos precisam estar em conformidade com a capacidade de carga estabelecida em função do peso dos elementos, que devem estar bem posicionados/instalados e com a manutenção em dia. “Outro aspecto importante a ser observado durante a produção e a montagem são as tolerâncias à estrutura, ou seja, é preciso encaixar as peças perfeitamente e com os contatos de apoio adequados, de forma a atender ao que está prescrito nas normas técnicas”, conclui Doniak.

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