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Publicado em 15/08/2018Quais as doenças que mais afetaram os trabalhadores da construção civil nos últimos anos?
Em 2017, dores na lombar, juntas, articulações e inflamações, chegavam a ser razão de 30% dos atendimentos e afastamentosCréditos: Shutterstock

Quais as doenças que mais afetaram os trabalhadores da construção civil nos últimos anos?

Dores na lombar, articulações, juntas e inflamações foram o principal motivo de afastamento

Para entender quais os principais motivos que levaram os trabalhadores da indústria da construção civil do estado de São Paulo a realizarem consultas médicas e também se afastarem de seus postos de trabalho, o Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP) analisou uma série histórica de dados referentes ao período de 2012 à 2017.

De acordo com os dados observados, as dores localizadas na área lombar, nas articulações ou juntas e as inflamações foram os principais motivos de afastamento dos trabalhadores durante os anos analisados. Porém, houve uma queda significativa nesse número de afastamento quando observado o período. Segundo a dra. Norma Araujo, superintendente do Instituto de Ensino e Pesquisa Armênio Crestana (Iepac), em 2012, o número de atendimentos com essa razão era de 43%, já em 2017, o índice caiu para 30%.

A sequência de diagnósticos reuniu vários motivos com índices inferiores. As infecções de garganta, de faringe, sinusites, gripes e viroses, representaram 13,3% no fechamento desses dados, em 2017. Em torno de 8,1% dos trabalhadores buscaram atendimento por problemas relacionados aos olhos e suas proximidades. Já 5,2% dos atendimentos evidenciaram problemas relacionados ao aparelho digestivo, como má digestão, gastrite, diarreia, inflamações do intestino, entre outras. Houve uma redução nas doenças relacionadas à pressão arterial e também com relação às doenças cardíacas.

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Análise dos dados das doenças

“Olhando todo o panorama dessas doenças não há nenhuma que nós possamos atribuir ao trabalho da construção civil. As dores na coluna, dores lombares, dores nas juntas, se transformaram em uma epidemia mundial, ou seja, são bem democráticas. Elas atingem desde o grande empresário que passa o dia inteiro sentado, na área administrativa, e têm relação com o sedentarismo”, afirma a dra. Norma Araujo.

Também de acordo com a especialista, as demais doenças que impactam vias respiratórias, as infecções e inflamações como, sinusites e amigdalites, atingem toda a população devido aos problemas de poluição ambiental – não sendo atribuídas somente ao público da construção civil.

Já quando se analisa o comportamento dos trabalhadores como um todo durante esse período, foi possível descobrir que cada vez mais uma quantidade maior de profissionais da construção civil está preocupada com a qualidade de vida. “Muitos profissionais têm vindo ao Seconci-SP fazer exame de checagem e é um fator extremamente importante para reduzir afastamento. Outro fator muito importante é que ao longo de todo o período de estudo, quando a gente começou em 2012, o número médio de afastamento era em torno de 2,3 dias. Na última análise, em 2017, observamos que a maioria dos trabalhadores se afasta por um período inferior a 2 dias”, afirma a dra. Norma Araujo.

 

Prevenção

Algumas doenças como a gripe, podem ser prevenidas com o processo de vacinação. Quando realizado em parceria com o Seconci-SP, é possível fazer isso em canteiro de obras mediante contratação da construtora. “É importante fazer a vacinação contra a gripe, principalmente, quando você mira pessoas que estão em conglomerados. Se estão juntos, um tem a doença e dissemina para os demais”, explica a especialista. Já com relação às contusões e entorses, vale ressaltar a importância do uso correto dos Equipamentos de Proteção Individuais e também a necessidade de realizar cada serviço de maneira correta, seguindo o passo a passo estipulado pela construtora, que devem evidenciar os melhores posicionamentos com relação à ergonomia.

Sobre as doenças gastrointestinais, é possível trabalhar a educação alimentar com o auxílio de nutricionistas e orientações em campo. É importante informar aos trabalhadores quais são os alimentos que eles devem consumir com maior frequência e que causariam menos impacto no aparelho digestivo.

A última questão envolve os transtornos mentais. Doenças como crise de ansiedade e depressão que estão impactando o meio corporativo, no entanto, não apareceram com expressividade nos atendimentos realizados pelo Seconci-SP.

 

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