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Publicado em 04/10/2016Saiba como evitar os vazios de concretagem
Bicheiras são causadas pela má vedação das fôrmas, problemas no lançamento do concreto, traço de concreto incorreto e mau adensamentoCréditos: Votorantim Cimentos

Saiba como evitar os vazios de concretagem

Montagem das fôrmas, traço, adensamento e lançamento adequados do concreto são etapas essenciais que, quando bem executadas, previnem a patologia

Vazios de concretagem são falhas que provocam espaços vagos em estruturas de concreto endurecido, conhecidos também como bicheiras. “Muitas vezes, essas falhas de concretagem apresentam-se preenchidas por material segregado. Em casos extremos, é possível até mesmo observar as armaduras”, indica o engenheiro Luiz de Brito Prado Vieira, consultor especialista em pesquisa e desenvolvimento da Votorantim Cimentos.

Os vazios podem ser visíveis externamente, mas há situações em que existe uma leve capa de argamassa os recobrindo – se não for inspecionado por um profissional, o problema passará despercebido.

Os nichos considerados grandes equivalem a um quinto da seção transversal do elemento estrutural. Já em um edifício, qualquer vazio superior a 50 x 50 cm em um pilar de 1,20 m pode ser considerado relativamente grande e precisa ser recuperado. Uma bicheira com essa mesma dimensão pode parecer insignificante na estrutura de concreto de uma barragem, por exemplo, de 100 x 20 m, mas, ainda assim, ela pode trazer sérios problemas para a estrutura e comprometer a sua durabilidade.

Causas

É a separação, ou segregação, dos materiais que compõem o concreto que resulta em vazios na estrutura. Mais comuns no passado, essas falhas ocorrem agora com menor frequência, pois as equipes aprenderam a trabalhar melhor com o material. Além disso, atualmente as grandes concreteiras já utilizam conceitos sofisticados de análise reológica para aprimorar as formulações do concreto utilizadas de acordo com cada obra.

“As principais causas do surgimento das bicheiras são a má vedação das fôrmas, problemas no lançamento do concreto, traço de concreto incorreto para armaduras densas e, principalmente, mau adensamento do concreto no estado fresco”, lista a engenheira Luana Scheifer, gerente técnica da Votorantim Cimentos.

Como evitar:

Falhas na vedação das fôrmas

Vazios pequenos em vigas ou pilares ocorrem, em geral, porque o canto da fôrma se abre, deixando vazar a nata do concreto. As bicheiras independem de as fôrmas serem de madeira ou de alumínio. Para evitá-las, o importante é que a equipe de obra saiba montá-las, assegurando a estanqueidade.

Lançamento do concreto

No lançamento do concreto de alturas a partir de 1,50 m, a ação deve ser particularmente criteriosa, caso contrário, os agregados graúdos, mais pesados, podem se instalar no fundo da fôrma, separados da argamassa.

Traço do concreto

É o tamanho dos agregados que faz toda diferença no traço do concreto. Como hoje os agregados utilizados são menores, o traço costuma ser mais fluido. O dimensionamento, porém, ainda exige conhecimento e domínio por parte dos projetistas. “O concreto muito seco e em desacordo com a necessidade da peça é, normalmente, a causa das bicheiras maiores”, diz Brito.

Às vezes, o concreto não consegue penetrar na fôrma, porque o agregado utilizado é grande demais e acaba retido na armação da peça, resultando na segregação. Nesse caso, as barras de aço da peça funcionam como uma peneira.

Adensamento do concreto

A falta de experiência da mão de obra em vibrar o concreto também pode ser a causa dos vazios. Ao vibrar excessivamente ou em uma frequência errada, ou, ainda, com o uso de um vibrador inadequado, induz-se a separação dos materiais constituintes do concreto.

Consequências

Dependendo do número e dos locais onde se encontram, os vazios de concretagem podem levar a deformações da estrutura e até mesmo ao desmoronamento. “O tratamento de cada bicheira na obra é fundamental para garantir a segurança da estrutura, pois, além da redução de seção de uma peça, o concreto que falta na região da bicheira deixa de proteger o aço, suscetível à corrosão”, destaca Scheifer.

Bicheiras são potencialmente mais prejudiciais em obras de grande responsabilidade técnica, como as estações de tratamento de esgoto (ETEs). Sulfato e cloretos comuns nesse tipo de ambiente penetram através dos nichos do concreto, dando início à corrosão da armadura.

“Porém, o cálculo estrutural, o consumo de concretos adequados e uma execução bem feita vão suportar esse tipo de patologia, evitando o comprometimento da estrutura”, comenta Brito.

Recuperação

De acordo com a engenheira, dependendo do tamanho das bicheiras e da complexidade da peça concretada, pode-se até exigir a sua reconstrução. Em casos menos complexos, é possível intervir e recuperar, realizando a preparação da área de aderência e aplicar um microconcreto ou argamassa com características mecânicas semelhantes às do original.

O mais importante, no entanto, é a execução. “É essencial retirar todo o material segregado, limpar e empregar produto específico, o que vai permitir a aderência do novo concreto ao antigo”, diz Brito.

O concreto de reparo pode ser o mesmo usado na concretagem original, desde que a fluidez seja adequada para esse tipo de recuperação. Dependendo da peça, é preciso usar uma fôrma cachimbo, uma pistola de pressão ou outro tipo de tecnologia para lançar o concreto e garantir que a peça se apresente íntegra e possa ser liberada para uso.

Procedimento recorrente, porém, condenado pelos especialistas, é simplesmente cobrir a bicheira com argamassa, sem o devido preparo do vazio, o que vai apenas mascarar o problema. Apesar de visualmente bem resolvido, por dentro o espaço estará oco e servirá de porta de entrada para a ação de cloretos e sulfatos, causando a corrosão da armadura.

Nos casos mais críticos, em que a armadura já apresenta ferrugem, é preciso substituí-la e refazer a peça. Dependendo do nível de comprometimento, a recuperação pode ter alto custo financeiro.

Leia também: Intervenções em estruturas de concreto

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