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Publicado em 13/03/2017Piso intertravado: solução segura, econômica e durável
O condomínio Alphaville Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima, Minas Gerais, utiliza pavimento intertravadoCréditos: Marcelo Prates

Piso intertravado: solução segura, econômica e durável

Engenheiro da ABCP fala sobre as particularidades e vantagens deste tipo de pavimento

Com sua origem nos pavimentos revestidos com pedras, executados na Mesopotâmia há quase 5.000 anos a.C. e muito utilizados pelos romanos desde 2.000 a.C., o piso intertravado, também conhecido como paver ou bloquete, chegou ao Brasil na década de 70 e tornou uma boa opção de pavimento.  O pavimento intertravado é composto por peças de concreto, assentadas sobre uma camada de areia e travadas entre si por contenção lateral.

Segundo o Manual de Pavimento Intertravado, produzido pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), o intertravamento é a capacidade que os blocos adquirem de resistir a movimentos de deslocamento individual, seja ele vertical, horizontal ou de rotação em relação a seus vizinhos. Ele é fundamental para o desempenho e a durabilidade do pavimento.

Para que se consiga o intertravamento duas condições são necessárias e indispensáveis: contenção lateral, que impede o deslocamento lateral dos blocos da camada de rolamento, promovendo o intertravamento, e junta preenchida com areia, que proporciona a transferência de esforços entre os blocos de concreto, permitindo que eles trabalhem juntos, uns com os outros, e suportem as cargas solicitantes.

O Mapa da Obra conversou com o engenheiro Alex Maschio, especialista da ABCP neste tipo de pavimento, que falou um pouco da solução. Acompanhe:

Mapa da Obra – Quais são os principais tipos de piso intertravado?

Alex Maschio – Há inúmeros tipos de piso intertravado, o mais comum é o modelo “holland” (20 x 10 x 6cm, retangular). Contudo, a NBR 9781/2013, norma que rege a especificação das peças de concreto para pavimentação, estabelece alguns critérios em relação aos formatos dividindo-os em 4 tipos possíveis: formato retangular, formato único, formato geométrico característico e conjuntos. Vale ressaltar que a norma compreende peças de concreto com no máximo 250 mm de dimensões (largura e comprimento), espessura mínima de 60mm e resistência mínima de 35 Mpa.

MDO – E quanto ao assentamento, também há várias possibilidades?
Alex –
Sim, as maneiras de assentamento também são diversas, como no formato de dama e em fileiras. Porém, a mais tradicional é a “espinha de peixe”, na qual as peças são assentadas de forma (direção) alternada.  É justamente essa versatilidade um dos pontos mais interessantes do pavimento intertravado. Tanto nos formatos, quanto nas formas de assentamento, vale a criatividade.

MDO – Onde é possível utilizar este tipo de pavimento?

Alex – Seu uso é extremamente diversificado, atendendo desde obras de vias para tráfego pesado, de caminhões e ônibus (no qual são recomendadas, preferencialmente, peças de formatos retangulares assentadas no padrão espinha de peixe) até obras residenciais nas quais o ponto principal é a praticidade e o aspecto arquitetônico. Algumas possibilidades de uso:  calçadas, espaços públicos como praças e parques, pátios de estacionamento e industriais, vias urbanas (em substituição ao tradicional asfalto) e garagens de edifícios.

 

Principais vantagens
O engenheiro Alex Mashio listou as principais vantagens do piso intertravado:

– Possibilidades arquitetônicas múltiplas;

– Adapta-se a qualquer projeto, podendo incorporar características locais ao próprio pavimento, como é o caso emblemático da Rua XV, em Blumenau/SC;

– Facilidade de execução;

– Durabilidade;
*Se executado da maneira adequada, normalmente superior a 20 anos

– Facilidade de manutenção e possibilidades de reuso e reciclagem;

– Economia de energia elétrica;

– Conforto térmico;

– Possível uso como pavimento permeável;
*O que pode ajudar a evitar alagamentos em cidades. Vale lembrar que o paver em si não é permeável, pois é um bloco rígido. Mas como há areia entre uma peça e outra, isso permite a vazão da água para o terreno, dependendo da preparação do solo abaixo da camada de pavers.

– Possibilidade de incorporação da sinalização viária horizontal;

– Custos de implantação competitivos;

– Baixo custo de manutenção.

 

MDO – Há algum cuidado especial ao optar pelo piso intertravado?
Alex –
Um ponto que é fundamental quando se fala em pavimento intertravado é a qualidade. Tanto das peças, que devem seguir as recomendações da NBR 9781/2013 e, preferencialmente devem ser adquiridas de empresas que possuam Selo de Qualidade ABCP (que verifica exatamente o atendimento da Norma), como também na execução, que deve rigorosamente atender aos requisitos da NBR 15.953/2011.

MDO – Do ponto de vista econômico, é uma opção interessante?

Alex – Sim, possui grande competitividade econômica, sendo um sistema muito interessante para o ambiente urbano, também, por todas as vantagens já destacadas. Para uma via de bairro, por exemplo, o intertravado teria um custo de implantação (obra) de 3 a 5% superior ao de uma solução similar em asfalto, porém, incluindo-se manutenções e reconstruções necessárias em 20 anos, para esse prazo, ele torna-se 40% mais barato, o que o viabiliza plenamente. Ainda mais na conjuntura atual, de escassez cada vez maior de recursos públicos. Quanto maior for a durabilidade, melhor.

MDO – O senhor considera que o Brasil já explorou todo o potencial deste tipo de pavimento?
Alex –
O pavimento intertravado vem crescendo no Brasil ao longo dos últimos anos, porém ainda está bem aquém das suas potencialidades. Sua principal utilização atualmente é em calçadas e acessos residenciais quando na Europa e EUA, por exemplo, é uma solução largamente utilizada na pavimentação de vias urbanas, principalmente em zonas residenciais. Santa Catarina, região de Blumenau e Vale do Itajaí, é o grande case de sucesso no Brasil, sendo que Porto Alegre também merece destaque.

Leia também: Veja como assentar peças de concreto para piso drenante

 

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