Publicado em 22/02/2016Seconci-SP lança estudo sobre as principais dores relatadas por profissionais de obra
Entre quase 6 mil pessoas consultadas, mais de 90% dos diagnósticos envolvem problemas na coluna, como lombalgia e escolise

Seconci-SP lança estudo sobre as principais dores relatadas por profissionais de obra

Segundo Seconci-SP, ombro, coluna e joelho apresentaram maior índice de lesões ocupacionais. A melhor prevenção é a correção da postura

As principais queixas relatadas por 5.958 pacientes atendidos na Fisioterapia da Unidade Central do Serviço Social da Construção do Estado de São Paulo (Seconci-SP) foram compiladas em pesquisa apresentada por Eliana Santos Marçal da Silva, durante a 5ª Jornada de Fisioterapia das Unidades Gerenciadas pelo Seconci-SP. “Ombros, colunas e joelhos são as partes do corpo que mais sofrem com dores ligadas a doenças ocupacionais (relacionadas ao trabalho), no caso de serventes, pedreiros e mestres de obras”, alertou a fisioterapeuta.

Do total, 91,1% dos tratamentos apontados voltavam-se para diagnósticos de doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo: artroses, transtornos musculares ou ligamentares (nos ligamentos) e dorsopatias (coluna vertebral), como lombalgias e escolioses.

Segundo o estudo do Seconci-SP, os problemas de saúde campeões na procura por tratamento são as tendinites em geral (sinovites e tenossinovites), 17,4% dos atendimentos. Em segundo lugar, estão as dores na parte debaixo das costas (lombar), com 14,1%. Em terceiro, fraturas nos ossos, apresentadas por 11,1% dos profissionais atendidos, seguidas das dores articulares (inflamações nas articulações, artroses e artrites), 9,9%.

Vários problemas, um só tratamento

Para todos esses transtornos, o tratamento é parecido. “Fazemos avaliação para traçar uma conduta individualizada. Inicialmente, tratamos em dez sessões de eletroterapia com cinesioterapia – baseada em exercícios específicos -, para então saber o que vai ser mais efetivo, em cada caso”, diz Eliana.  As tendinites são provocadas por falta de alongamento, somada a postura inadequada e movimentos repetitivos na execução dos trabalhos em canteiro. “Começa com uma inflamação que pode, com o tempo, romper o tendão. Nesse caso, o único tratamento possível é cirúrgico, com consequente afastamento do serviço.”

As lombalgias, que atacam a região lombar da coluna, estão associadas a processos inflamatórios degenerativos, como artroses e hérnias de disco. “Primeiro, prescrevemos repouso. Depois, vai ser preciso tomar medicamentos específicos. Só depois de passar pelo ortopedista, é que o paciente chega à fisioterapia.”

Mas o maior problema surge quando 10 sessões com o fisioterapeuta não são suficientes. “É preciso que o trabalhador tenha consciência da importância de vir ao Seconci fazer todas as sessões que forem necessárias, sem faltar”, alerta Eliana. É a insistência no tratamento que vai evitar cirurgias muito mais dolorosas e de recuperação longa e delicada.

Melhor prevenir

“Notamos uma demanda crescente de trabalhadores jovens, na casa dos 40 anos, procurando atendimento de fisioterapia. O cenário chama atenção, já que grande parte dos usuários do Seconci-SP é de pessoas que já passaram dos 50 anos”, pontua Eliana.

E se os pacientes estão cada vez mais jovens, é sinal de que falta cuidado e prevenção – atividades como ginástica laboral, orientação sobre postura para realizar as atividades na obra, palestras e conscientização das empresas sobre ergonomia no local de trabalho.

“Ensinar como erguer objetos pesados, transportar cargas e até sobre como manter a melhor postura ao dormir ou durante as horas de lazer, podem evitar o afastamento do funcionário do seu posto de trabalho”, alerta. Eliana Santos Marçal da Silva destaca ainda a necessidade de atividades físicas como musculação e alongamentos, que fortalecem e aumentam a resistência muscular.

Manual lançado pela CBIC em parceria com o SindusCon-DF é instrumento para auxiliar na prevenção de acidentes

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