Publicado em 03/02/2015Reforço em estruturas de concreto armado

Reforço em estruturas de concreto armado

Veja soluções mais usuais para reforçar estruturas de concreto armado comprometidas

Estruturas são normalmente dimensionadas para trabalhar de acordo com as características mecânicas dos materiais especificados e com as cargas previstas no uso da edificação. “A resistência do concreto para elementos estruturais é especificada de acordo com a carga para a qual uma laje vai ser projetada”, confirma o engenheiro Fernando José Relvas, da Exata Engenharia e Assessoria. O consultor esteve entre 29 de setembro e seis de outubro no Instituto de Engenharia, em São Paulo, lecionando sobre técnicas de reforço de estruturas de concreto armado.

Ao longo da história de uso de um prédio, ou mesmo antes, durante a própria execução da obra, há um cem número de situações que podem alterar o previsto, o que pede, muitas vezes, que elementos em concreto sejam reforçados. “Os materiais empregados podem não ter atingido as especificações de projeto”, enumera Relvas.

Ocorre quando o projeto pedia um traço de resistência 20 MPa, e depois se verifica que tinha apenas 15 MPa. “Controlamos a resistência à medida que a obra vai sendo executada; às vezes descobrimos que não atendeu ao esperado.

Outra causa comum de reforços são solicitações maiores do que as calculadas originalmente. Acontece sempre que a edificação deveria ter um uso, e depois acaba tendo outro. “Era uma simples sala de trabalho, que virou biblioteca – ou seja, a carga, agora, é muito maior”, compara.

Também a deterioração da estrutura é fator recorrente: a falta de manutenção das estruturas de concreto armado, em algum momento, exigirá reforços. É o que se vê em viadutos da capital paulista.

Às vezes o uso acontece como o planejado, mas o que ocorreu foi, desde o início, um erro de cálculo no projeto. Ou ainda um impacto mecânico sobre a estrutura (um acidente com um caminhão faz romper um pilar).

A causa da necessidade de reforçar estruturas de concreto armado não implica uma única solução a adotar. “Há várias soluções; em algumas situações, posso adotar qualquer uma delas. Em outras, há soluções que são mais adequadas que outras, ou mesmo necessárias”, pondera o especialista.

Opções de reforço para estruturas de concreto armado

Quando peças submetidas à flexão têm insuficiência de armadura tracionada (uma viga horizontal submetida a cargas verticais), o que se pode fazer é incrementar a armadura existente, com aumento da seção de concreto.

Também é possível inserir armadura na seção existente, ou fazer colagem de chapas metálicas na face tracionada ou, ainda, aplicar compósito de fibra de carbono e epóxi – solução externa, colada na superfície, como uma bandagem. Há também quem prefira inserir ao sistema cabos protendidos externos.

Nas lajes, a situação é muito parecida com a das vigas. Estas admitem ainda reforço por cisalhamento, aumentando-se sua seção com subsequente inserção de novos estribos, ou inserção de estribos na seção existente; ou ainda chapas coladas nas laterais.

Se, por outro lado, pilares estão submetidos à compressão, deve haver o aumento da seção do pilar (encamisamento), ou reforço com cintamento, que poderá ser metálico ou em fibra de carbono.

No caso do reforço de silos circulares, usa-se o encamisamento de concreto com armadura adicional, ou técnica de protensão externa perimetral.

A técnica mais atual, no entanto, já está no mercado há 10 anos, mas só agora começa a se popularizar mais – porque seu preço tende a cair, comparativamente às outras. A solução com fibra de carbono tem execução muito fácil e rápida, e por isso ainda é um pouco mais cara. “A única restrição ao uso da fibra estaria com relação à temperatura – acima de 80 ou 90 graus, a resina epóxi perde eficiência.”

Todo reforço de fibra de carbono só é aplicado de forma que, caso se o perca, a estrutura se mantenha em situação de não ruptura. O coeficiente de segurança se reduz, mas não fica aquém da ordem de um (1), para não ruir. “Mas há situações que pedem maior rigidez de elementos estruturais, e a fibra só serve para aumentar a resistência da capa; assim, pode ser necessário engrossar a seção com concreto – é ele quem traz mais rigidez ao sistema.”

Por seu grau de segurança, e também por ser um produto mais acessível, o concreto ainda é a solução mais utilizada. Outras variantes, como o microconcreto com agregados graúdos menores, ou brita zero, também estão bem difundidos no mercado.

Foto: Marcelo Scandaroli

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