Publicado em 11/11/2014Preparo da Construtora MRV rendeu resultados

Preparo da Construtora MRV rendeu resultados

Construtora MRV lidera lucros líquidos para o primeiro semestre deste ano; entenda por que

O boom imobiliário, pouco antes do estouro da crise internacional (2008), teve consequências desastrosas para boa parte das grandes empresas que optaram por mercados até então desconhecidos, como era o caso de obras para habitação popular. Diferentemente da MRV, grande parte dessas companhias, desacostumadas com o ritmo frenético de entregas no curto prazo e de financiamentos às camadas populares, nem sempre conseguia fazer negócios proveitosos com bancos, por isso não atendiam aos prazos e tantas vezes tiveram de readequar e redirecionar esforços, voltando-se novamente para os segmentos de média e alta renda.

Com a debandada das grandes, pequenas empresas que já dominavam o relacionamento com bancos públicos – principais financiadores de programas do governo federal, como o Minha Casa Minha Vida (MCMV) – ganharam a oportunidade de ouro: avançar no negócio, e sem concorrentes. A construtora MRV foi uma delas.

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Segundo um estudo publicado pela Economática, a MRV foi a construtora de capital aberto que mais lucrou no primeiro semestre de 2014, em meio à queda nos lucros de todas as outras. Seu faturamento soma R$ 482,1 milhões (lucro líquido) para o período.

Esse valor representa variação positiva de 119,33% em comparação com o primeiro semestre de 2013, quando lucrou R$ 219,8 milhões. No ranking, segunda e terceira colocadas são, respectivamente, Cyrela Realt e Ezetc, porém com ganhos menores que no mesmo período do ano passado.

“Isso é consequência de um efeito contábil da variação do valor justo das propriedades da MRV Log. Sem esse efeito, o resultado da MRV teria sido menor que o da Eztec”, argumenta o analista da Coinvalores, Felipe Silveira. Para ele, no entanto, a expertise da construtora foi um diferencial para o alcance de tal resultado.

Cenário positivo

Ao que tudo indica, os resultados devem seguir positivos para o setor da habitação popular. Tanto pequenas quanto construtoras de porte médio têm tido um desempenho melhor que os gigantes do setor. Para ajudar, a terceira fase do MCMV deve contribuir ainda mais para este cenário. “O déficit habitacional brasileiro nos distancia de uma bolha imobiliária, e o baixo crédito em relação ao PIB também aponta na direção de um crescimento sustentável. A nova fase do MCMV viabiliza um funding barato, dando subsídios às fatias mais baixas de renda”, avalia Silveira.

Para as demais construtoras, que atualmente enfrentam momento delicado, novos caminhos a se abrir estão no setor de infraestrutura. “Prevemos dificuldades para as construtoras que apostaram nos segmentos comercial e residencial de médio e alto padrão, nos próximos trimestres. Há forte desaceleração dos preços dos imóveis e a demanda ainda está baixa, acompanhando a morosidade da atividade econômica interna”, conclui Silveira.

Em amostragem que considerou 87 construtoras de todo o Brasil, casos de desplacamento de cerâmicas foram registrados em obras de 20,7% delas. 

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