Publicado em 05/02/2016Pesquisa CAU revela viabilidade de projetos arquitetônicos para população

Pesquisa CAU revela viabilidade de projetos arquitetônicos para população

Dados levantados pelo CAU-BR, com o Datafolha, revelam que brasileiro ainda considera projeto arquitetônico um artigo de luxo

Pesquisa realizada pelo Conselho dos Arquitetos e Urbanistas do Brasil (CAU-BR) e o Datafolha concluiu que apenas 7% da população economicamente ativa no país, que já construiu ou reformou um imóvel, contratou arquiteto para realizar os serviços. Foram consultadas 2,5 mil pessoas em vários Estados e, de acordo com dados, 69% dos consumidores que já construíram ou reformaram sem arquiteto contratariam um numa próxima reforma ou construção – um sinal de que quem já teve más experiências se arrepende bastante, e entendeu que o barato pode sair muito caro.

Muitos alegaram não ter dinheiro para contratar os serviços de arquiteto, um custo considerado alto. Mais de 20% dos entrevistados ainda acreditam que este profissional é desnecessário. Por outro lado, quem já contratou um profissional, justifica a sua decisão nos conhecimentos técnicos do profissional (46%), nas exigências legais para a construção de imóveis (22%), ou por questões de segurança (10%). A esmagadora maioria deles (73%) escolheu o profissional por indicação de parentes e amigos.

A pesquisa foi encomendada para desvendar o que a população entende sobre as atribuições de arquitetos e urbanistas; seu protagonismo no planejamento urbano, além dos benefícios da atuação desses profissionais – e uma avaliação de seus serviços.Um dos pontos positivos nos resultados é que, de todos os que já contrataram os serviços, 78% afirmaram estar muito satisfeitos, e apenas 6% deles disseram estar insatisfeitos ou muito insatisfeitos.

 

Pesquisa CAU revela questão de classe

Para a arquiteta Miriam Addor, presidente nacional da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (ASBEA), 7% é um número muito baixo, e pode indicar que a atividade do arquiteto e urbanista é de elite, algo caro e luxuoso. “O principal objetivo era mostrar à sociedade que este estereótipo não é a realidade.  Durante a pesquisa, uma das perguntas foi relativa ao custo do projeto em relação ao custo total da obra. A maioria dos consultados não sabia qual era essa relação, pensando poder chegar a até 40%. Quando eram informados do valor correto – aproximadamente 10% do valor da obra, a depender do tipo de obra, surpreendiam-se”, comenta.

Miriam acha importante considerar que a obra executada sem responsável técnico (arquiteto ou engenheiro), sem aprovação legal ou sem a aplicação das normas técnicas vigentes é o que faz a construção ficar cara demais. Por outro lado, reverter tal situação demanda esforços conjuntos do CAU e de outras entidades ligadas à arquitetura e ao urbanismo, para divulgar o papel desses profissionais na realização de um projeto – e qual diferença o projeto faz no produto construído final.  

“Essa divulgação tem de chegar às camadas B, C e D da população, porque essas são responsáveis pela grande parte da autoconstrução nas cidades brasileiras, portanto, sem assistência técnica adequada”, analisa. A presidente da ASBEA também acredita que a formação de novos profissionais deve incluir orientações sobre a constituição de escritórios formalizados, prestadores de serviços adequados aos regulamentos da profissão e da lei.

“Temos lutado no Congresso Nacional, com o CAU-BR e outras entidades interessadas, pela diminuição das alíquotas tributárias incidentes sobre os serviços de arquitetura, o que incentivaria a formalização da atividade.” Em entrevista à Revista AU, da Editora Pini, o presidente do CAU-BR, Haroldo Pinheiro, afirmou que uma das frentes de trabalho das entidades de classe é junto a governos e prefeituras. “Pela internet, podemos ainda ajudar pessoas na busca por serviços, ensinando-as a contratar profissionais”, disse. Para Haroldo Pinheiro, a vantagem da pesquisa com o Datafolha é que agora a atuação do CAU passa a ser direcionada com base em dados quantitativos e qualitativos concretos, “não mais na intuição”.

Acompanhe aqui a íntegra dos resultados da pesquisa.

 

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