Publicado em 30/09/2014Operador de máquinas: conheça a profissão

Operador de máquinas: conheça a profissão

Operar máquinas pesadas pode pagar mais que a um engenheiro, mas exige consciência dos riscos

Não é incomum encontrar, em obras de edificações, gruas trabalhando na movimentação vertical de materiais. Também é presença recorrente em canteiros de obras plataformas elevatórias, manipuladores telescópicos e mini escavadeiras. E, por trás de todos esses equipamentos, existe uma profissão que ganha cada vez mais importância: o operador de máquinas!

Quando se fala em construção pesada – grandes obras de infraestrutura, como pontes, túneis, usinas hidrelétricas –, o perfil de equipamentos é outro, conforme lembra Wilson de Mello Jr., diretor de Certificação e Desenvolvimento Humano da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema). “São mais de 2.400 equipamentos, distribuídos em 42 famílias de equipamentos e 128 fabricantes”, conta, explicando que a especificação técnica de cada um deles pode ser acessada na página da Sobratema.

Com tantas máquinas em operação, era de se esperar que conhecimento específico fosse exigido para sua operação. “As normas regulamentadoras definem que todo operador deve ser habilitado, qualificado, capacitado ou autorizado para operar equipamentos e, em alguns caso, definem até o conteúdo programático dos cursos”, conta Mello. Ele explica que a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) reúne todas as características desses profissionais, detalhando as atividades dos mesmos.

Especificações da profissão

De qualquer maneira, Mello lembra que a NR 12 – Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos define que o operador de máquinas, salvo na condição de aprendiz, deve ter mais de 18 anos. “Para o exercício dessas ocupações requer-se escolaridade entre quarta e sétima séries do ensino fundamental e curso básico de qualificação profissional de até duzentas horas. O pleno exercício das atividades ocorre com um a dois anos de experiência profissional. A(s) ocupação(ões) elencada(s) nesta família ocupacional, demandam formação profissional para efeitos do cálculo do número de aprendizes a serem contratados pelos estabelecimentos, nos termos do artigo 429 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, exceto os casos previstos no art. 10 do decreto 5.598/2005”, diz a regulamentação.

Como a regulamentação é pouco clara, não há nada que defina a quantidade de horas de treinamento exigidas. Enquanto alguns organismos internacionais têm cursos de formação de operadores com cargas horárias entre 160 e 240 horas, no Brasil, lamenta Mello, há cursos de atualização de profissionais que já trabalham com equipamentos, com carga horária entre 24 e 80 horas.No mercado, você encontra todo tipo de treinamento, até de organismos que dizem formar um operador em três dias”, diz Mello.

Por isso, conta ele, “a Sobratema realizou uma aliança estratégica com a Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção (Abendi) para que exista um processo de certificação de terceira parte, visando a garantir que nossos operadores estejam aptos a operar as maquinas com segurança e produtividade”, aponta. Dessa forma, a Sobratema oferece cursos para diversos equipamentos, conforme pode ser visto no catálogo da entidade.

Mercado de trabalho

A remuneração do operador de máquinas carece de referências, na opinião de Mello. Até mesmo porque, complementa ele, isso depende do tipo de equipamento, da capacidade do mesmo tempo, do tempo de experiência do profissional. “O que posso afirmar é que para alguns equipamentos um operador poderá ganhar mais do que um engenheiro”, especula.

Isso porque, conforme dados apresentados pelo representante da Sobratema, “até 2018 teremos 8.300 obras com investimentos da ordem de R$ 1,2 trilhões”. Isso significa, espera a entidade, o “ingresso no mercado de uma média 80 mil novos equipamentos, sendo que, para cada quatro novos equipamentos, precisaremos, em média, de um mecânico, um lubrifiacador, um comprador, um almoxarife etc.”. Atualmente, há no País uma frota em operação com mais de 500 mil equipamentos.

Perfil do operador de máquinas

Para Mello, o principal requisito do bom operador é gostar da profissão. Para se qualificar, ele recomenda ao profissional buscar capacitação em entidades reconhecidas e estar sempre atualizado com as novas tecnologias, buscando conhecimento sobre o funcionamento dos equipamentos e entendendo os fatores que levam à quebra dos mesmos.

São diferenciais, aponta Mello, “buscar capacitação nos aspectos de segurança, tendo argumentação adequada para negar a realização de trabalhos que possam por em risco ele próprio e as pessoas que trabalham nas proximidades”

Montagem das fôrmas, traço, adensamento e lançamento adequados do concreto são etapas essenciais que, quando bem executadas, previnem a patologia. 

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