Publicado em 28/04/2017O que é retrofit, processo que deve melhorar o conforto de edifícios
O retrofit busca customizar, adaptar e melhorar equipamentos, conforto e a funcionalidade de um prédio antigoCréditos: Daichi Iizuka / shutterstock.com

O que é retrofit, processo que deve melhorar o conforto de edifícios

Entenda o que é Retrofit e quando ele é indicado como solução para edificações

Você sabe o que é retrofit? A palavra inglesa retrofit vem ganhando cada vez mais a atenção de engenheiros e arquitetos. Embora seja sinônimo de reforma, na arquitetura seu conceito é um pouco diferente. Enquanto a reforma é uma pequena intervenção que não altera por completo a edificação e não tem como objetivo a modernização e a adaptação, o retrofit é o processo de revitalização de um edifício ultrapassado ou bastante danificado. “No retrofit busca-se customizar, adaptar e melhorar equipamentos, conforto e a funcionalidade de um prédio antigo”, explica o engenheiro civil Antônio Sérgio Ramos da Silva, diretor técnico da Axis Engenharia e Tecnologia.

Yuri Borges Suzarte, também engenheiro civil e consultor de desenvolvimento técnico de mercado da Votorantim Cimentos no Nordeste, completa: “Com o retrofit, aumenta-se a vida útil do empreendimento e adia-se a necessidade de manutenção, muitas vezes conservando as características originais do projeto, principalmente quando se trata de patrimônio histórico”.

Suzarte dá dois exemplos contemporâneos de retrofit em Salvador (BA), onde vive: o hotel Fasano e o Fera Palace Hotel. “Todos os apartamentos do Fera Palace foram refeitos com base no estilo da década de 30. É um projeto personalizado para manter as características da época em que foi construído”, afirma. Ainda sobre este projeto: “O projeto do Fera Palace apesar de manter o estilo estético original do prédio o mesmo, teve ao processo a incorporação de melhorias de equipamentos e sistemas, visando um maior conforto e funcionalidade para o usuário”, detalha.

O que modernizar?

Os sistemas que mais demandam retrofit normalmente são fachadas e instalações prediais (elétrica, hidráulica, de esgoto, gás, ar-condicionado, telefonia e dados). Enquanto a troca de revestimento e esquadrias da fachada dá um ar mais atual ao edifício e valoriza o imóvel, a modernização das instalações prediais é imprescindível para adequar o projeto às normas atuais de desempenho e segurança. “As regras para construção de um prédio em 1940 não são as mesmas de hoje”, exemplifica Suzarte.

Outras mudanças comuns em projetos de retrofit são modernização do sistema de automação; criação de espaços acessíveis a portadores de necessidades especiais; instalação de tecnologias sustentáveis, como sistema luminotécnico mais eficiente; demolição de paredes para aumento da área útil; reforço da estrutura com adição de chapas de aço ou fibras de carbono quando há alteração de uso e, consequentemente, aumento da capacidade de carga; troca do piso tradicional pelo piso elevado, ideal para esconder fios e cabos, principalmente em escritórios; tratamento de fissuras em fachadas etc.

O retrofit pode ser apenas a modernização de uma parte da edificação, como a troca das tubulações do sistema hidráulico, ou uma mudança completa, alterando, inclusive, o seu uso. Dessa forma, um edifício residencial pode se transformar em corporativo.

Quando fazer?

Silva e Suzarte concordam que a necessidade de retrofit deve ser definida por arquitetos e engenheiros, responsáveis pela análise do local e verificação da viabilidade econômica e logística, além da definição das atividades a serem realizadas e da execução do projeto.

De acordo com Suzarte, muitas vezes se torna economicamente viável demolir um edifício e construir um novo. “Um dos principais fatores para se optar pelo retrofit é a preservação do valor histórico da construção e ampliar a vida útil da edificação”, ele reforça.

Outro ponto bastante considerado por construtoras é a norma de desempenho. “Para agregar valor à obra, opta-se por atualizá-la considerando o conforto acústico e térmico, questões que não eram levadas em conta no passado, antes da entrada da NBR 15.575 em vigor”, diz o consultor técnico da Votorantim.

Para Silva, da Axis Engenharia e Tecnologia, o retrofit deve ser encarado como uma obra nova, portanto, todas as determinações impostas por órgãos públicos e entidades de classe como o Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) e o CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) devem ser respeitadas. Hoje, muitos edifícios residenciais que perderam valor de mercado estão passando por esse processo, visando a atender às necessidades atuais dos moradores.

Ao decidir executar o retrofit, é importante atentar-se à questão logística, já que boa parte dos edifícios fica em áreas densamente povoadas e de difícil acesso, além de eles estarem ocupados, o que dificulta a entrega de materiais, retirada de entulhos, movimentação no canteiro e potenciais problemas com edificações vizinhas.

 

As reformas em apartamentos também precisam de cuidados especiais, já que é preciso ter um laudo técnico e um plano de obras.

 

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