Votorantim Cimentos

Você busca conteúdos exclusivos sobre o mercado da construção civil?

Inscreva-se grátis e receba nossa newsletter.

Publicado em 27/09/2017Saiba quando alterações no escopo do projeto são realmente necessárias
Uma mudança de premissas de escopo do projeto altera algum ponto do conceito inicial definido, com efeitos sobre diversas áreas.

Saiba quando alterações no escopo do projeto são realmente necessárias

A alteração no escopo do projeto pode representar um ajuste inevitável. Contudo, há condições plausíveis para que isto aconteça.

Problemas no escopo do projeto são inevitáveis e vão aparecer, hora ou outra. Por isso, é preciso saber lidar com eles, com os projetistas e com o coordenador do projeto. O segundo deles é a melhor pessoa para analisar se as alterações propostas mudam premissas básicas e todo o gerenciamento do projeto, ou se são apenas adaptações necessárias e inerentes ao seu próprio desenvolvimento.

Para Maria Cecilia Levy, fundadora e presidente da Associação Brasileira dos Gestores e Coordenadores de Projetos (AGESC), a importância de identificar o caráter das mudanças no escopo do projeto está em minimizar retrabalhos, extensões no cronograma e atrasos, além do bom gerenciamento para a conclusão da obra. “Sem contar a desmotivação da equipe. Não é só uma questão de custos”, relembra.

E a diferença está exatamente naquilo que era proposto desde o início. Uma mudança de premissas de escopo do projeto altera algum ponto do conceito inicial definido, com efeitos sobre diversas áreas (estruturas, hidráulica, paisagismo, entre outros).

A alteração inerente e necessária, por outro lado, é aquela que precisa acontecer para fazer valer a premissa inicial; exatamente porque da forma como foi desenvolvido o escopo do projeto, ela não seria atendida na conclusão da obra.

“É preciso identificar todas as disciplinas e equipes que estarão envolvidas na alteração a promover, e prezar pelo gerenciamento do problema por meio de um diagnóstico preciso do que terá de ser alterado”, diz a especialista da AGESC.

“Vai ser realmente preciso revisar o cronograma da obra?”, questiona. Para Levy, neste momento, é o coordenador de projetos quem toma a frente, liderando alterações para reduzir efeitos negativos sobre o negócio e a equipe de trabalho.

Por outro lado, vai fazer grande diferença na contabilidade final do empreendimento entender que mudanças de premissas não são ajustes necessários. É que, no primeiro caso, como não foram os projetistas que deram causa ao problema, eles deverão apresentar um novo orçamento para seus serviços.

Ou seja, o retrabalho terá de ser remunerado. No caso da alteração inerente para fazer valer a premissa inicial, o “retrabalho” não pode ser entendido como tal, porque apenas dará continuidade a algo que ainda não estava totalmente concluído.

 

É preciso analisar caso a caso

Para enxergar uma coisa e outra, nada melhor que estudar exemplos práticos e “clássicos”. Maria Cecília Levy tem vários para apresentar.

“Antes, a laje do pavimento era plana, e depois surgiu a ideia de ter um desnível que não havia sido definido desde o início. Essa alteração vai repercutir sobre outros projetos, como o de hidráulica e o de paisagismo, porque a tubulação fazia um caminho, e agora vai ter que fazer outro, por onde encontrará vigas, o que exigirá furações estruturais também não previstas inicialmente”, relata.

Essa alteração deve ser considerada um retrabalho, porque muda a premissa original do escopo do projeto, e implicará custos adicionais.

Muito diferente seria o caso de uma laje térrea em que, por baixo dela – portanto, no teto do subsolo do edifício – as tubulações hidráulicas não desviavam dos elementos estruturais.

“É preciso imaginar um escopo do projeto padrão, de laje plana, com capitéis próximos dos pilares”, ensina Levy. E como os tubos não desviavam, o projeto previa inúmeras furações da estrutura.” Neste caso, as alterações são justificáveis.

“Aliás, este projeto é praticamente inviável”, critica. “São tantos furos que não sobram vigas”. O jeito será refazê-lo como uma necessidade inerente ao atendimento da premissa original de projeto.

Com isso, o profissional de hidráulica terá de repensar desvios possíveis para os tubos e, assim, evitar as furações. Se isso não for possível, outras áreas serão impactadas pela alteração.

Pode ser necessário redimensionar e redistribuir todas as vigas e pilares, o que, novamente, afetará a arquitetura. “Prejudica todo mundo, mas não tem o que fazer. As alterações são inerentes ao atendimento do conceito inicial e não podem custar mais do que o combinado”.

 

Alteração tolerável no projeto

Algumas situações estarão, no entanto, no limite daquilo que pode parecer uma alteração de premissa do escopo do projeto. O coordenador de projeto deverá ter pulso firme para discutir e convencer profissionais de que o caso é de alteração necessária.

“É o que pode acontecer quando não se faz uma consulta preliminar ao fornecedor de elevadores, lá atrás, na concepção”, alerta a especialista. O problema é deixar essa consulta para o momento de começar o projeto executivo.

“A empresa informa, então, que para aquele tipo de empreendimento projetado, não podem ser previstos elevadores com casa de máquinas. O resultado é ter que tirar, de todos os projetos, a casa de máquinas e alterar a configuração de lajes, pés direitos, níveis e a própria arquitetura, entre outros, o que impacta muita gente, mas precisa ser feito, uma vez que ter o elevador é uma premissa do conceito inicial”, finaliza.

 

Além de identificar quais alterações de projeto realmente são necessárias, a gestão de riscos pode te ajudar a prevenir problemas antecipadamente em seu canteiro de obras.

 

 

Compartilhe esta matéria

Quer receber notícias e dicas sobre construção civil?

Inscreva-se grátis e
receba nossa newsletter.

X