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Publicado em 18/12/2015Especial Seminário Tecnologia BIM

Especial Seminário Tecnologia BIM

Segunda reportagem da série diferencia tecnologia BIM 3D, 4D e 5D, mostrando a influência de sua integração em projetos

Se você é daqueles profissionais que ainda estão se familiarizando com a ideia da existência da tecnologia BIM (Building Information Modeling ou Modelagem de Informações da Construção) e que ainda pensam que tudo não passa de um programa de computador para traçar projetos 3D, prepare-se para descobrir um mundo de dimensões nunca antes navegadas.  Na verdade, técnicos de BIM já falam em 4D e até em projeção 5D, e vão além: integram tudo isso ao “bom e velho” 3D, numa coisa só. Se complicou demais, é melhor dar um passo atrás para entender tudo, desde a primeira lição.

Segundo o grande Manual do BIM, dos autores Eastman, Teicholz, Sacks e Liston (2011), “com a tecnologia BIM é possível criar digitalmente um ou mais modelos virtuais precisos de uma construção. Eles oferecem suporte ao projeto ao longo de suas fases, permitindo melhor análise e controle que os processos manuais. Quando concluídos, esses modelos gerados por computador contêm geometria e dados precisos necessários para o apoio às atividades de construção, fabricação e aquisição, por meio das quais a construção é realizada.”

O diretor técnico da FortBIM Engenharia, Bruno Angelim, ensina que o 3D-BIM gira em torno de um modelo de dados integrados a partir do qual várias pessoas interessadas – arquitetos, engenheiros, construtores, fabricantes de materiais e sistemas construtivos, empregados e até investidores podem extrair e gerar pontos de vista e informações de acordo com suas necessidades. “Visualizações tridimensionais permitem a esses participantes receber, em tempo real, as modificações feitas em uma parte do projeto, por exemplo. Eles também visualizam, ao mesmo tempo, como essas modificações alteram outras partes do projeto – ou seja, visualizam seus impactos diretos e indiretos”, explica.

Estabelecendo uma referência de espaço, o BIM 3D ajuda no gerenciamento da colaboração multidisciplinar, ao tornar mais eficazes a modelagem e a análise de problemas espaciais e estruturais complexos. “Além disso, cada ponto do modelo virtual possui uma informação parametrizada, de forma a prever a durabilidade de todos os componentes durante todo o ciclo de vida da edificação.”

Em relação ao espaço construído, portanto, o 3D já era o “antes”, o “durante” e o “depois” da construção. Mas veio o 4D-BIM, que é usado para atividades relacionadas ao planejamento local da construção. “Essa quarta dimensão permite extrair e visualizar o progresso das atividades por meio do ciclo de vida do projeto – melhora o controle sobre a detecção de conflitos, ou sobre a complexidade das mudanças que ocorrem durante o curso de um projeto de construção”, define Angelim. A relação, aqui, é de tempo. O 4D-BIM também fornece métodos para gerenciar e visualizar informações de status da construção, alterar impactos, bem como apoiar a comunicação com equipes de obra sobre várias situações de risco.

Ainda mais avançada, a quinta dimensão abriga o aspecto mais econômico-financeiro do empreendimento. “O 5D-BIM é usado para a composição de orçamentos e análise de custos das atividades relacionadas”, explica o diretor técnico da FortBIM. Associado ao 3D (espaço) e ao 4D (tempo), permite aos interessados visualizar o andamento de suas atividades e os custos, em razão do cronograma. O resultado é uma maior precisão e previsibilidade de custos, impactos orçamentários de mudanças de escopo de projeto e dos materiais, equipamentos ou mão de obra. “A integração 3D, 4D e 5D possibilita avaliar cenários completos a partir de alterações no modelo 3D ou no 4D, de forma dinâmica, a facilitar a visualização de custos e de outros impactos das mudanças.”

Muito embora tudo isso pareça não só um bicho de cinco cabeças, mas também um alto investimento para o usuário de tanta tecnologia, Bruno Angelim prefere acreditar que não sai mais caro que o processo tradicional de projeto e execução de obras. “Quando levamos em conta os ganhos financeiros obtidos ao longo do processo construtivo, e mesmo depois, no gerenciamento do edifício [uso e manutenção], as vantagens da metodologia BIM integrada superam o investimento inicial”, pondera.

Vai valer a pena nos empreendimentos que precisarem de soluções de qualidade e de uma gestão eficiente para processos de projeto, construção e operação – em outras palavras, muito provavelmente naquelas obras de maior porte, ou as certificadas. Mesmo do ponto de vista de quem vende e ensina a usar o BIM, parece pouco provável que a grande fatia das obras de engenharia – construções residenciais unifamiliares e mesmo condomínios de menor porte – tenham condições de investir num sistema tão avançado, muito embora sirva para economizar no montante final, antecipando erros, omissões e reduzindo retrabalhos, planejando e simulando etapas da obra ou validando seus custos. Basta saber, ainda, se esta será uma realidade concreta, próxima e inevitável para todo o setor.

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