Publicado por Aline Fernandes em 15/02/2021Custos de materiais: como driblar a alta e manter as vendas crescentes
É preciso analisar os cenários e as expectativas para garantir os resultados positivos nas lojas de materiais.Créditos: Shutterstock

Custos de materiais: como driblar a alta e manter as vendas crescentes

Estratégia deve ser realizada para evitar que consumidores sintam impacto nos preços

Você confere:

  • Resultados de 2020 superaram as expectativas em 3%, segundo a ANAMACO;
  • Estratégias para não impactar os consumidores com a alta de preços;
  • Expectativas para 2021 e preocupações do setor;
  • Categorias de destaque em 2020.

Os resultados do varejo de materiais de construção, em 2020, surpreenderam positivamente o setor. Isso porque, com receio da pandemia atingir os orçamentos dos consumidores, os representantes do varejo de materiais acreditavam que o ano não atingiria a expectativa positiva projetada no final de 2019, em que o varejo esperava crescer 8% em 2020 sobre o resultado do ano anterior. A realidade, no final das contas, foi melhor do que a projeção: o setor cresceu 11% em 2020, de acordo com informações da ANAMACO.
Apesar do resultado positivo, algumas incertezas e situações estão exigindo que os varejistas de materiais de construção pensem estrategicamente a fim de driblar eventuais problemas, como a alta nos custos de materiais. Para Waldir Abreu, economistas e superintendente da ANAMACO, algumas estratégias devem facilitar a vida do proprietário ou gerente da loja de materiais de construção, garantindo que suas vendas não sejam afetadas negativamente e atraindo clientes para seu estabelecimento.
“Todo o realinhamento de preços que houve com produtos de algumas categorias de produtos foram compreendidos pelo varejo, até porque não tem o que fazer. Algumas categorias tiveram que ter esse realinhamento para continuar a oferta, porque pior do que se adequar a um preço novo, é ficar sem o produto para oferecer na loja. Aqueles varejistas que receberem produtos novos com preços novos tiveram que refazer seus preços de vendas”, explica o representante da entidade.

Custos de materiais: soluções para as lojas

1. Redução na margem: uma das alternativas para os lojistas de materiais de construção não alterarem seus custos quando necessário, pela alta dos materiais, é fazer uma redução em sua margem de lucro. Essa estratégia não precisa ser perene, mas deve ser realizada, principalmente, ao notar que os seus concorrentes no mercado ainda não fizeram a modificação dos preços. A ideia aqui é que segure um pouco a alta dos preços para que os clientes não comecem a olhar para a loja como a mais cara da região. “O grande problema dos varejistas é que muitos dependem de entrega, e muitas vezes, essa entrega (frete) rouba margem do que ele faz no ponto de venda”, alerta Abreu.

2. Mix de produtos: outra solução para não colocar a alta de materiais de uma forma expressiva em um único produto, é distribuir esse valor em um mix de produtos que deve fazer parte da compra do seu cliente, assim, diminuindo as chances dele sentir o impacto até se acostumar com a mudança dos valores. “Quando o consumidor vai a uma loja, dificilmente, ele vai para comprar um produto só. Então, nessa situação, o varejista pode trabalhar com o mix de produtos, fazendo a readequação de preços. Quando o produto fica muito caro você perde o consumidor”, ressalta o representante da ANAMACO.

3. Reabastecer momentaneamente com atacadistas: a terceira solução evidenciada por Waldir Abreu seria fazer o reabastecimento dos produtos com atacadistas que ainda não tenham mudado os preços. É importante destacar que o consumidor está cada vez mais digital e agora, sua jornada de compra passa pelas pesquisas realizadas na internet, o que pode prejudicar a sua loja caso o preço seja atualizado para cima enquanto as concorrentes ainda não. Recorrer aos atacadistas apenas para não subir os preços antes da concorrência pode vir a ser uma boa solução.

Expectativa para 2021 no varejo de materiais

Algumas decisões ligadas ao cenário macroeconômico serão importantíssimas para o futuro do varejo de materiais de construção, que é bastante impactado, principalmente, pela confiança dos seus consumidores. A ANAMACO, portanto, está trabalhando com três cenários de expectativas de resultados 2021, quando comparado com o ano anterior.

Cenário Pessimista crescimento do setor de 1,5%Cenário Realista crescimento do setor de 3% a 3,5%Cenário Otimista crescimento do setor de 5%
Dados da ANAMACO

Vale destacar que em 2020, mesmo mediante ao cenário de incertezas, o resultado superou as expectativas positivas em 3%. “A pandemia, de alguma forma, acelerou a necessidade das pessoas. Se o varejo tivesse ficado fechado, a gente teria comprometido o ano, certamente”, ressalta Waldir Abreu. Vale destacar que em 2020, as categorias que mais se destacaram foram relacionadas ao acabamento: as tintas e as cerâmicas. “O ano passado foi muito marcante para a área de pintura e de cerâmica, e os produtos básicos que, em via de regra, são muito demandados. Mas os dois primeiros tiveram uma demanda muito importante por conta da situação das pessoas em casa querendo fazer as coisas por si próprias, fazendo um home office meio que improvisado”, complementa o representante da entidade.


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Jornalistas da matéria:
  • Aline Mariane Fernandes
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