Publicado em 23/12/2014Mercado de construções rápidas em balanço

Mercado de construções rápidas em balanço

Veja como a queda da produção de imóveis deve mudar o ritmo do setor de construções rápidas

Voltada ao segmento de construções rápidas, como estandes de venda para lançamentos imobiliários, shopping centers, mercados e hospitais, a SET Arquitetura e Construções especializou-se nas chamadas construções secas, como steel frame, drywall e estruturas metálicas. Flavio Cunha Machado, seu arquiteto-diretor, conta que, embora a empresa continue atendendo esse nicho principal, tem notado uma forte baixa no segmento de espaços de uso comercial, com agravamentodesde antes da Copa do Mundo.

Em entrevista ao Mapa da Obra, Machado conta que, em sua percepção, o mercado passa por uma crise ainda camuflada por conta de eleições. Além disso, atribui o resfriamento do mercado a um controle mais intenso do crédito por partes dos bancos, ao aumento da inflação – com consequente alta dos juros – e o maior cuidado dos consumidores.

Confira as perspectivas para negócios com construções rápidas na entrevista:

Qual a situação atual das obras para o segmento de lojas de shoppings e estandes para lançamentos imobiliários?
As lojas nos shoppings, apesar da queda em volume de obras, ainda reagem. Sempre há quem invista em negócios próprios, ou amplie sua rede. Já o mercado imobiliário está em baixa total. Não é à toa que vemos grandes feirões, com descontos de 40% no valor do imóvel pronto. O mercado de apartamentos para classe média está parado, as construtoras não vendem e, por terem dívidas com os bancos que financiaram suas obras, fazem essas promoções para alavancar vendas.

Nesse contexto, quais segmentos têm se mostrado mais promissores?
Há quem diga que o mercado de casas populares ainda é um bom negócio, por haver grande demanda por habitação social, e acesso ao crédito. Residências populares que se encaixam no Minha Casa Minha Vida, obras financiadas pela Caixa Econômica Federal, têm mantido liquidez.

Obras de retrofite tendem a ganhar espaço no mercado?
Principalmente no centro de São Paulo, onde existem grandes casarões e imóveis comerciais subutilizados. Caso ocorra a revalorização e resgate dessas áreas degradadas, acreditamos que o retrofite possa ganhar ainda muita força e vir a ser um possível mercado de atuação.

O período eleitoral influencia o mercado de construção?
Sim. Investidores cautelosos aguardam uma definição eleitoral e sentem como o mercado se comporta antes de iniciar novas injeções. Muitas das grandes construtoras têm o capital aberto, com ações comercializadas em bolsa. O momento é de esperar. Essa é também uma das razões pelas quais os nichos de grandes construtoras estão meio parados. Haverá poucos lançamentos imobiliários este ano.

Quais as influências da situação econômica na atividade da construção?
A influência é total. Se a economia não está favorável, não existe dinheiro circulando, e não tem para quem vender. Até mesmo os investidores param de comprar para locar, pois deixa de ser um bom negócio. Outras aplicações, de maior liquidez, têm retorno melhor. Claro que temos que contar também com a valorização desses imóveis e, em contrapartida, com os riscos de assumir contas mensais de um imóvel que se destinará à locação, mas que pode não estar ocupado o tempo todo.

Além da situação político-eleitoral, podemos dizer que o mercado imobiliário, pelo menos nos grandes centros, está saturado?
Ainda existe espaço para o mercado imobiliário nos grandes centros, mas precisamos ter controle. Existe muita especulação; todos pensam no lucro e acabam se esquecendo da qualidade de vida. O adensamento desenfreado leva à falta de infraestrutura elétrica e de esgoto, de abastecimento de água e de gás, de estrutura viária, estacionamentos, além da impermeabilidade do solo e outros problemas.

Quando o mercado começou a declinar?
Na crise da bolha dos EUA, sofremos um pequeno abalo e certa desconfiança, mas o mercado ainda reagia bem. Em 2013 os imóveis atingiram um valor que começou a inviabilizar os negócios e deixou de ser atrativo. Acredito que estamos passando por uma fase de estabilização de valores. Alguns dizem até que os preços vão recuar, mas não acredito nessa possibilidade. Há oferta abundante, devido à dificuldade de vender ou locar. Espero uma estabilização dos preços dos imóveis e o tempo deve conduzir à valorização mais lenta dos produtos. Será um mercado bem menos agressivo do que vimos nos últimos anos.

Foto: Marcelo Scandaroli

Para auxiliar na gestão de riscos, há uma classificação padrão em grupos e cores para ser adotada em qualquer empresa

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