Publicado em 13/07/2016Jateamento de concreto acelera obras de infraestrutura
Concreto projetado reduz custos com mão de obra e material

Jateamento de concreto acelera obras de infraestrutura

Técnica pode ser realizada por via seca ou úmida. Entenda a diferença entre elas

O jateamento do concreto é amplamente utilizado em obras de infraestrutura, como paredes de contenção, recuperação e reforço estrutural de lajes, vigas e pilares. “Seu uso é indicado, por exemplo, na construção de túneis devido à característica de endurecimento rápido e resistência significativa”, afirma o engenheiro Roberto Kochen, diretor técnico da GeoCompany, consultoria em geotecnia, túneis, fundações e meio ambiente.

A técnica deve ser especificada levando em consideração a análise de viabilidade. “O concreto projetado tem que ser avaliado como uma solução tecnológica e, portanto, não basta simplesmente comparar custos unitários para decidir sobre seu uso”, complementa o engenheiro Antonio Domingues de Figueiredo, professor associado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

Vantagens

O concreto projetado apresenta como vantagens a redução de custos com mão de obra e material, além de possibilitar maior velocidade do processo construtivo. “Em situações em que a geometria do elemento de revestimento de concreto é mais complexa, a competitividade do projetado é ampliada, uma vez que sua utilização dispensa a produção de fôrmas”, destaca Figueiredo.

Em termos de resistência, as obras de infraestrutura executadas com concreto projetado serão equivalentes àquelas que utilizam concreto moldado in loco. “O projetado tem elevada resistência poucas horas após a aplicação e pode ser empregado em grande variedade de situações em que seria difícil trabalhar com o moldado in loco, como no interior de túneis”, diz Kochen.

Existem estudos que comprovam a impossibilidade de extrapolação dos resultados obtidos com o concreto moldado in loco para o projetado. Portanto, é imprescindível a execução de estudos prévios de qualificação do material através da moldagem de placas, utilizando equipamentos e equipe que efetivamente irá trabalhar com o material. “Caso contrário, há o risco de perda de resistência para a estrutura”, adverte Figueiredo.

Desvantagens

Entre as principais desvantagens da técnica está seu custo elevado. Além disso, o uso da solução não é indicado para ambientes sem circulação de ar, devido à grande quantidade de partículas dispersadas na atmosfera. “Alguns países já proibiram o uso do concreto projetado via seca em locais fechados, para evitar que os trabalhadores fiquem expostos ao elevado nível de poeira. Há também restrições quanto ao tipo de aditivo que pode ser utilizado, pois alguns são bastante agressivos”, diz Figueiredo.

Diversos tipos de cimento podem ser utilizados no concreto projetado. O mais importante é assegurar a compatibilidade entre o cimento e o aditivo acelerador de pega, que garante altas resistências iniciais com baixas idades. “Existem ensaios específicos para tal finalidade. Esse aspecto não pode ser negligenciado, sob o risco de o concreto projetado endurecer lentamente ou com resistência final menor que a especificada”, finaliza Kochen.

No jateamento de concreto há, ainda, maior nível de perda de material se comparado com o concreto convencional moldado in loco. Isso porque durante o processo de projeção acontece o fenômeno da reflexão, também conhecido como rebote, em que parte do material cai do alvo de projeção. O desperdício pode chegar a 40%, mas varia conforme o tipo de equipamento e capacitação do operador do maquinário.

Aplicação

A aplicação da solução necessita de equipamentos de projeção e de um compressor de ar compatível com a demanda. Também é recomendável utilizar sistemas que minimizem a variação de fluxo de ar para garantir que a vazão seja a mais constante possível. Nas projeções com volumes superiores a 6 m3/h, é importante utilizar braços mecânicos que garantam a eficiência e a segurança da aplicação.

O tipo de maquinário é definido pela via seca ou úmida de projeção do concreto. “No primeiro caso, os equipamentos são menores e mais compactos. Já no segundo, são maiores e, muitas vezes, precisam de caminhões para o transporte”, diz Kochen.

Via seca ou úmida

No jateamento via seca, a bomba de concreto é alimentada por uma mistura seca de cimento e agregados. “A adição de água é feita no bico de projeção ou um pouco antes, através de uma entrada adicional no sistema que é conhecida como pré-umidificação ou via semiúmida”, explica Figueiredo. Essa tipologia é ágil e permite trabalhar com pequenos volumes, tornando-a ideal para aplicação em condições emergenciais – o que pode ser crucial para a segurança das obras de túneis, por exemplo.

As características básicas e comportamentais do concreto projetado via seca não são severamente afetadas pela utilização da pré-umidificação, existindo apenas uma melhora na homogeneização do material e a redução na intensidade da reflexão. A desvantagem é o elevado nível de poeira gerado no processo de jateamento, portanto, menos favorável do ponto de vista ambiental.

Já na via úmida, a água é misturada previamente ao concreto. Nesse caso, ocorre a adição de aditivo acelerador de pega no bico de projeção para garantir a projetabilidade do material. Ou seja, para o bombeamento é necessário que o concreto apresente uma consistência mais fluída e para que permaneça aderido ao alvo de projeção.

“A alternativa proporciona maior produtividade, podendo exigir a utilização de braços mecânicos”, diz Figueiredo. Além disso, permite também maior homogeneidade do material, o que garante maior facilidade de atingimento de valores característicos, uma vez que o concreto projetado via úmida apresenta menores valores de coeficiente de variação.

Revestimentos

O uso do jateamento de concreto em obras de infraestrutura resulta em aumento da capacidade técnica e resistência do material. Em muitos casos, principalmente na construção de túneis, a solução tem sido frequentemente aproveitada no revestimento. “Tal ação garante a velocidade de aplicação e dispensa o uso de fôrmas. A tendência é aproveitar, cada vez mais, o concreto projetado nos revestimentos inicial e final dos túneis”, destaca. Existem muitos casos em que o concreto projetado funcionou como material estrutural definitivo, como na obra do Instituto Oceanográfico de Valência, na Espanha.

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