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Publicado por Carla Rocha em 11/03/2021Especial BIM na infraestrutura: ABNT disponibiliza coleção para segmento
Infraero começa a implementação do BIM com a criação de Aeroporto Digital.Créditos: Shutterstock

Especial BIM na infraestrutura: ABNT disponibiliza coleção para segmento

Momento para agentes da construção civil é de capacitação para adequação à metodologia

Você confere:

  • Decreto nº 10.306 exige a implementação do BIM para algumas obras públicas;
  • ABNT lança coleção para apoiar a implementação em obras de infraestrutura;
  • Capacitação ainda é uma barreira para a metodologia ser implementada de forma efetiva;
  • Infraero e Governo do Estado do Ceará trazem iniciativas importantes para o BIM;
  • Normas ABNT criadas para regulamentar a aplicação da metodologia.

2020, apesar da pandemia da COVID-19, também foi um ano de evolução para a construção civil. Prova disso, foi a implementação do Decreto nº 10.306, que estabelece a utilização do Building Information Modelling na execução direta ou indireta de obras e serviços de engenharia realizada pelos órgãos e pelas entidades da administração pública federal, no âmbito da Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modelling – Estratégia BIM BR, instituída pelo Decreto nº 9.983, de 22 de agosto de 2019.
O professor Eduardo Cabral, Prof. Eduardo Cabral, chefe do Departamento de Engenharia Estrutural e Construção Civil (DEECC) da Universidade Federal do Ceará (UFC), viu com bons olhos a chegada do decreto. “O Decreto é bastante positivo, pois força as empresas a migrarem para essa nova metodologia, entretanto, claramente, as empresas ainda não estão preparadas para isso. O importante é que quem já atuar na plataforma BIM terá a preferência [nas licitações públicas], ou seja, há grande incentivo para que as companhias quebrem esse paradigma, que diga-se de passagem, é perfeitamente normal terem resistência às mudanças”, explica. “O impacto na cadeia será fabuloso, pois ficará mais fácil gerir as obras pelos órgãos de controle, bem como fiscalizar. A tendência é que as obras públicas sejam melhor construídas, tenham menos interferências, trazendo economia financeira aos cofres públicos, bem como que tenham uma manutenção mais preditiva”, complementa Cabral.
Para apoiar essa implementação da metodologia nas obras de infraestrutura, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), disponibilizou uma coleção para o segmento que deve auxiliar na capacitação dos agentes da construção civil. “Infelizmente, não temos muitas empresas preparadas para o uso da ferramenta BIM. O BIM está um pouco mais desenvolvido no Brasil na parte de edificações, principalmente, edificações verticais. Entretanto, mesmo neste segmento, as empresas não têm desenvolvido comumente os projetos em BIM. O mais comum no mercado é desenvolver em CAD-2D e depois modelar. Contudo, a perspectiva é positiva, pois várias empresas da área de infraestrutura têm buscado capacitar seus colaboradores para uso dessa ferramenta”, reforça o docente.
Em 40 páginas, o material disponibilizado pela ABNT traz um panorama de como os diferentes segmentos dentro da infraestrutura brasileira estão atuando frente ao desenvolvimento do BIM no país. A publicação fala sobre a utilização do BIM no aeródromo; no segmento aquaviário; no setor de energia; no segmento de obras de arte; na área de óleo e gás; no segmento de rodovias; no setor de saneamento; e, por último, na área de transporte por trilhos.

Movimentos para implementação do BIM


A Infraero foi uma das primeiras instituições a criar uma iniciativa de implementação do BIM em uma de suas obras públicas com o Aeroporto de Londrina. De acordo com o material elaborado pela ABNT, o “projeto piloto Aeroporto Digital consiste num ambiente comum de dados em modelo digital de todo o Aeroporto de Londrina, que incluem dados do sítio aeroportuário e das edificações e que são acessíveis por aplicativos dentro de uma plataforma única de informações”.
De acordo com informações publicadas pela associação, o “projeto prevê uma economia anual de até R$ 540 mil para o aeroporto através da diminuição dos custos de cadastramento, projeto e manutenção, do aprimoramento da operação aeroportuária, da gestão de informações e do aumento da rentabilidade comercial, além da diminuição de paradas de equipamentos e agilidade em processos fundiários que terão os cálculos efetuados após a conclusão do projeto”.
Além da Infraero, o professor Eduardo Cabral destaca a ação do Governo do Estado do Ceará. “O governo está implantando, por meio do Programa Cientista Chefe em Infraestrutura, o BIM na Superintendência de Obras Públicas (SOP). O processo conta com a capacitação de servidores da SOP, da dotação de infraestrutura por meio da construção da Sala BIM, do uso da ferramenta para projetar, orçar e gerir melhor as obras públicas do Estado, minimizando a prática de aditivos contratuais bem como propiciando uma manutenção preventiva para as edificações e rodovias do Ceará. Acho que esse é o caminho a ser seguido”, conta o docente.

Normas ABNT sobre BIM

  • ABNT NBR ISO 16354:2018 – Diretrizes para as bibliotecas de conhecimento e bibliotecas de objetos.
  • ABNT NBR ISO 16757-1:2018 – Estruturas de dados para catálogos eletrônicos de produtos para sistemas prediais. Parte 1: Conceitos, arquitetura e modelo.
  • ABNT NBR ISO 16757-2:2018 – Estruturas de dados para catálogos eletrônicos de produtos para sistemas prediais. Parte 2: Geometria.
  • ABNT NBR ISO 12006-2:2018 – Construção de edificação – Organização de informação da construção. Parte 2: Estrutura para classificação.
  • ABNT NBR 15965-7:2015 – Sistema de classificação da informação da construção. Parte 7: Informação da construção.
  • ABNT NBR 15965-3:2014 – Sistema de classificação da informação da construção. Parte 3: Processos da construção.
  • ABNT NBR 15965-2:2012 – Sistema de classificação da informação da construção. Parte 2: Características dos objetos da construção.
  • ABNT NBR 15965-1:2011 – Sistema de classificação da informação da construção. Parte 1: Terminologia e estrutura.


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