Publicado em 26/05/2015Casa do Zé usa fôrmas de madeira na concretagem

Casa do Zé usa fôrmas de madeira na concretagem

Em Portugal, fôrmas de madeira para concretagem revestem pisos e paredes nos interiores

A Casa do Zé foi construída num terreno de difícil acesso, em área alta de vilarejo português – Palmela -, dos arredores de Lisboa. Por isso, a técnica construtiva tinha de reduzir o volume de materiais empregados, já que o transporte era um complicador, assumindo o desafio de terminar a execução em apenas seis meses. Foi então que surgiu a ideia de utilizar fôrmas de madeira!

De frente para uma praça decorada com painel de azulejos azuis, tipicamente portugueses pintados à mão, e com vista para um castelo medieval, no alto das montanhas, a prefeitura local impunha limitantes, quanto à tonalidade da fachada e a altura máxima da casa.

Assim, os arquitetos do escritório Paratelier pensaram num volume residencial único, de fachada estrutural, pigmentada na cor ocre, dentro dos padrões de planejamento urbano para o povoado.

Foi feito um planejamento detalhado da compra de materiais, seu reaproveitamento em canteiro, logística de entrega, destinação final e cronograma de etapas de obra.

Fôrmas de madeira: aproveitamento e facilidade

Na concretagem da fachada, foram usadas fôrmas de madeira em painéis compostos de três camadas de pinus cruzadas e resistentes que, depois, foram limpas e reutilizadas no revestimento de pisos, forros e paredes. As fôrmas também puderam ser reaproveitadas pela marcenaria, para armários, gabinetes e mesas de trabalho.

O telhado recebeu concreto armado, revestido com painéis Viroc (placas de madeira prensadas com cimento). “Primeiro, o concreto recebia uma tela betuminosa impermeabilizante e, por cima, uma estrutura de madeira, na qual eram fixados os painéis Viroc”, explica a arquiteta italiana Monica Ravazzolo.

O programa de uso, por sua vez, se distribuiu em três pavimentos, conectados por eixo vertical de escadas de madeira. No térreo há espaço de trabalho voltado para um pátio que ilumina os interiores. O primeiro andar, ou intermediário, tem dois dormitórios, e uma área social integrada fica no pavimento mais alto, com varanda sobre a paisagem e vila de Palmela.

Acompanhe detalhes desta vista sobre o vilarejo histórico na galeria de fotos!

A maioria das pessoas nem cogita a possibilidade de um caminhão betoneira atender pequenas obras. Será que estão certas?

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  • A circulação entre os três pavimentos se dá por eixo de escadas – tudo é em madeira: degraus, paredes, pisos e forros. No primeiro andar estão dois dormitórios (portas à esquerda), ao longo de um corredor com janela para o pátio interno (ventilação e iluminação naturais). A Casa do Zé tem projeto de arquitetura do Paratelier, para residência em Palmela, Portugal – Foto: Leonardo Finotti
  • A mesma madeira reutilizada da concretagem da fachada também reveste áreas molhadas – banheiro e cozinha, e pôde ser reaproveitada por marceneiros para executar gabinetes, nichos, mesas e armários. A Casa do Zé é projeto do Paratelier. Em Portugal – Foto: Leonardo Finotti
  • Os interiores da Casa do Zé são revestidos com as fôrmas de madeira usadas para concretar a fachada – pisos, paredes e forros. O andar térreo é acesso, por eixo de pé direito duplo em cota mais baixa que a da rua. O espaço capta luz natural a partir de um pátio. Em Palmela, Portugal, com projeto de arquitetura do Paratelier – Foto: Leonardo Finotti
  • A fachada da frente da Casa do Zé, em Portugal, está nos limites da Praça de Boa Vista, com painel de azulejos de Andreas Stoklein, pintado em 1989, que remonta à tradição lusa quinhentista, suporte de registro histórico e do imaginário popular português. Projeto de arquitetura do Paratelier – Foto: Leonardo Finotti
  • O mobiliário fixo – prateleiras, armários, bancadas e camas - são de design do Paratelier, que também projetou a arquitetura. Tudo foi executado com madeira reaproveitada da concretagem das fachadas. Resistentes, os painéis de pinus são compostos de três camadas cruzadas de madeira, que aquecem os ambientes da Cada do Zé em Palmela, vilarejo nos arredores de Lisboa, Portugal – Foto: Leonardo Finotti
  • Palmela, Portugal, é um vilarejo nas redondezas de Lisboa. A Casa do Zé ocupa terreno elevado da cidade, próximo de um castelo medieval e circundado pela vegetação do Vale Barris. O volume monolítico de concreto armado pigmentado na cor ocre tem arquitetura reta e simples, em harmonia com as construções vizinhas. Projeto do Paratelier (arquitetos Leonardo Paiella e Monica Ravazzolo), a casa tem 186 m2 construídos em três pavimentos. O terreno tem apenas 90 m2, o que confirma seu aproveitamento vertical – Foto: Leonardo Finotti
  • Os caixilhos que separam a cozinha do deck externo em madeira são de alumínio, com grande porta de correr. Da varanda, há vista privilegiada sobre castelo medieval e as montanhas de Palmela, vilarejo a poucos quilômetros da capital portuguesa. A Casa do Zé tem arquitetura e projeto de interiores do Paratelier – Foto: Leonardo Finotti
  • Cozinha integrada a jantar e estar ocupa o terceiro pavimento da residência. Os vãos são como vazios na concretagem, desenhados para captar diferentes vistas, em diferentes escalas e horas do dia. Na zona de estudo (canto direito), é possível observar a vida na praça; ao meio-dia, a abertura da sala de almoço dá vista a um castelo medieval, e ao cair da tarde, janela da sala de estar (esquerda) permite ver a paisagem de vinhas do Vale Barris. Um recorte no forro funciona como claraboia e escape para uma chaminé de lareira móvel, que ainda não foi instalada. O projeto da Casa do Zé é do Paratelier. Em Palmela, Portugal – Foto: Leonardo Finotti
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