Publicado em 06/01/2015Tem que crescer!

Tem que crescer!

Para construção crescer mais, é preciso dobrar investimentos públicos em infraestrutura

Durante o Minascon 2014 – feira do setor da construção civil –, realizado entre 6 e 9 de agosto em Belo Horizonte, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) apresentou o estudo O desempenho da Construção Civil nas duas décadas do Plano Real e desempenho recente, que reúne dados sobre o desenvolvimento do setor nos últimos 20 anos.

Em apenas uma década (desde 2004) o setor cresceu 52,1%. Ampliando a análise para os últimos 20 anos, é revelado um crescimento anual de 2,82%, com pico no ano de 2010, quando a alta foi de 11,6%. O desemprego também caiu, passando de 8,9% em abril de 2003 para 2,5% no mesmo mês de 2014. Paralelamente, o consumo de cimento cresceu 180,33%, passando de 25,3 milhões de toneladas em 1994, para 70,9 milhões em 2013.

Construção e Plano Real

De acordo com o Dr. Teodomiro Diniz Camargos, Presidente da Câmara da Indústria da Construção da FIEMG, o Real trouxe um novo cenário para a economia nacional: derrota da hiperinflação, baixa taxa de desemprego, avanço do crédito, aumento da classe média, reservas cambiais em nível confortável, entre outros.

“A Construção Civil se desenvolveu e adquiriu uma nova dimensão. O setor foi, aos poucos, recuperando seu papel protagonista na economia nacional”, afirma. Ele explica que outros fatores, como a maior oferta de crédito imobiliário em melhores condições de juros, prazos de pagamento e novo marco legal (lei 10.931/94), programas de incentivo do governo federal (Aceleração do Crescimento, Minha Casa Minha Vida), o aumento geral da renda e do consumo “formiga” (pequenas obras e reformas) contribuíram para o crescimento da construção na última década.

Iniciativas privada e estatal

Camargos credita à iniciativa privada, por meio das atividades do mercado imobiliário, o papel de grande desenvolvedor setorial. “O expressivo incremento do financiamento imobiliário é capaz de demonstrar o quanto esse segmento foi – e ainda é – importante”, salienta. Ele admite que o papel de grandes obras financiadas em programas de governos dos três níveis da federação, no entanto, também não é desprezível, nem menos importante.

Afinal, obras de infraestrutura e de habitação realizadas por meio desses programas contribuíram para o crescimento do emprego e da renda. São exemplos em Minas Gerais os programas Pró-Acesso, Pró-MG, a construção da Linha Verde (complexo viário) e a obra do Centro Administrativo do Governo do Estado.

Ele acredita, no entanto, que os 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) investidos atualmente em infraestrutura pelo governo federal sejam insuficientes para a manutenção do crescimento do setor. “Estudos indicam que é necessário, no mínimo, dobrar esse número”, diz.

Atual desempenho da Construção Civil

Apesar do crescimento histórico, o cenário atual tem inspirado preocupações. Os motivos são inflação no teto da meta, juros elevados, baixo crescimento dos últimos trimestres, desajuste nas contas públicas, além do desgaste do mercado de trabalho e da baixa confiança de empresários e consumidores, cansados do excesso de burocracia e da carga tributária elevada.

“É preciso restabelecer uma agenda de prioridades, onde o investimento, tanto público, quanto privado, tenha lugar de destaque”, acredita. A mudança perpassa uma reestruturação da própria política econômica: “Não existe desenvolvimento sustentado com infraestrutura deficiente”, pontua.

Na construção civil, pense sempre em gestão de riscos e evite problemas 

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