Publicado em 05/10/2015Conheça o MASP, ferramenta para “pensar e resolver”

Conheça o MASP, ferramenta para “pensar e resolver”

MASP – Método de análise e gestão de qualidade de processos retoma o pensamento clássico cartesiano

Diante de tantos equipamentos, computadores, softwares e aplicativos que fazem tudo, pensar para resolver se torna uma atividade quase banal, pouco colocada em prática. O MASP – Metodologia qualitativa de localização, análise e solução de problemas – reverte esta realidade, incitando engenheiros e arquitetos a usar o que há de mais elementar: a cabeça.

“Essa ferramenta, apesar de muito útil, infelizmente tem sido deixada de lado pelas faculdades de engenharia e arquitetura, que ensinam estudantes a colocar algo para funcionar, mas não a encontrar a raiz dos problemas”, critica o engenheiro mecânico e mestre em gestão Fábio Laurenti.

Consultor organizacional em gestão da qualidade, logística e melhoria de processos pela Sellse, Laurenti ministra palestras e cursos sobre o tema, como o proferido no Instituto de Engenharia no primeiro semestre deste ano. “É uma ideia importante, porque com frequência gerentes de obras se deparam com falhas em processos diversos, e não utilizam nenhuma metodologia para solucioná-las”, diz.

O MASP tem por base o ciclo PDCA (Plan – Do – Check – Act, ou planejar, fazer, checar e agir, do inglês), aplicação da metodologia científica clássica racionalista, desenvolvida por René Descartes, Francis Bacon, entre outros teóricos do século XVII – e isso não é nenhuma brincadeira. A ideia é mesmo usar a cabeça, voltando às origens do iluminismo cartesiano, que é fundamento de todas as ciências modernas. E nada melhor que o cérebro humano para resolver problemas complexos.

Assim, o MASP é uma sequência de oito fases intuitivas, que deve ser obedecida para chegar à solução de um problema qualquer. São elas: identificar a falha, observar, analisar, criar um plano de ação para corrigir o problema, agir, verificar os resultados, solucionar o problema, padronizar a resposta-correção e, por fim, concluir o processo.

Parece muito simples, mas para o profissional contemporâneo adepto das máquinas de calcular, memorizar e resolver, pode ser um grande obstáculo. Em uma obra onde o solo esteja cedendo, por exemplo, o profissional deve aplicar o MASP para identificar o problema; depois, observar como ele ocorre, em qual intensidade se apresenta, quando e onde acontece e quem o provoca; analisa então os motivos pelos quais o problema está ocorrendo; encontra soluções, criar um plano de ação e, só então, age.

“Se os entraves forem solucionados, bastará ao engenheiro ou arquiteto padronizar o processo e documentá-lo. Agora, se não resolver, ele deverá retornar à segunda etapa, da observação, para tentar novamente”, diz Laurenti.

O MASP é uma ferramenta promissora de resolução de problemas e de melhoria da qualidade dos processos no local de trabalho. No caso de gerentes de obra, a adoção da técnica pode ser de enorme valia, afinal, revela formas de contornar dificuldades no canteiro a partir de uma menor margem de erro, baixo custo e grandes benefícios.

“O uso da metodologia gerencial para localizar problemas é intenso na gestão da qualidade e, por se tratar de método qualitativo, não faz o uso de métricas ou indicadores quantitativos de desempenho, auxiliando não só para  a solução de problemas empresariais e técnicos, mas também humanos – sociais ou pessoais, ao indicar se um objetivo está sendo ou não atingido”. Como não há limitações quanto o seu uso, a técnica pode ser empregada em todos os segmentos e áreas de uma empresa – inclusive em obras civis dirigidas por jovens profissionais que buscam maior eficácia de suas ações. Basta parar e pensar.

Gestão envolve detalhes. Utilizar um caminhão-betoneira requer planejamento para que o orçamento da sua obra não seja afetado. 

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