Publicado em 08/04/2014Concreto branco chama atenção pelo acabamento

Concreto branco chama atenção pelo acabamento

Resistente como o convencional, chama atenção pelo acabamento claro e por não ter revestimentos!

Já imaginou uma casa branca, feita de concreto, com acabamento impecável, sem precisar de pintura nem de outros revestimentos? Quem usa o concreto branco na construção consegue esse resultado. Se você ainda não tinha ouvido falar nele, tudo bem. É realmente pouco comum no mundo da arquitetura e construção no Brasil. “O concreto branco possui qualidades estéticas capazes de ressaltar as formas da arquitetura além de ampliar as possibilidades de combinação do concreto com outros pigmentos, gerando resultados estéticos variados”, ressalta o arquiteto paulista André Weigand.

O concreto branco é feito a partir do cimento branco estrutural. O geólogo Arnaldo Forti Battagin, gerente dos laboratórios da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), explica que esse cimento não possui óxidos de ferro e manganês, responsáveis pela cor cinza do cimento convencional. Na receita, vai também areia, que se não for naturalmente clara, pode receber doses extras de calcário moído. No final, as características são as mesmas do concreto convencional e as aplicações, também. Vale para quem quer uma estrutura concretada aparente, mas com acabamento claro.

Nesse caso, existe a vantagem do conforto térmico, “por refletir com maior eficiência a luz solar e manter a temperatura de sua superfície mais próxima à do ambiente”, explica Arnaldo. Ou para quem quer tingir o concreto, a base branca garante cores mais vibrantes e homogêneas. Se o cimento branco não for estrutural, ele pode ser usado em rejuntes e acabamentos.

Projetos envolvendo concreto branco

Agora, chega de teoria. Que tal dar uma olhada na nossa galeria de fotos e conhecer alguns projetos bacanas com concreto e cimento brancos? Um deles é o prédio da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre (RS). Assinado pelo arquiteto português Álvaro Siza, ele ficou pronto em 2008 (a obra toda levou cinco anos) e é considerado o primeiro no país a ser erguido todo em concreto armado branco, deixado aparente.

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  • O concreto branco pode aparecer também no piso. Nesta casa, o arquiteto paulista Siegbert Zanettini usou placas de concreto armado brancas de 1 x 1 m. “O resultado foi esteticamente positivo assim como de alta durabilidade, pois a casa já completa 5 anos e está em perfeitas condições”, conta Zanettini. Elas são pré-moldadas em fôrmas metálicas e têm quatro centímetros de espessura. Na massa, pedras de mármore e granito e 100% de cimento branco, além de areia e aditivos. “O concreto é de alta resistência. O piso tem manutenção mínima e a limpeza é feita com ‘limpa pedras’ a cada 2 meses”, finaliza o arquiteto, que faz parte da comunidade CasaPRO - Foto: Divulgação CasaPRO
  • Com projeto do arquiteto Álvaro Siza, e criado para abrigar as obras do pintor brasileiro do qual leva o nome, o museu Iberê Camargo fica às margens do Lago Guaíba, na capital gaúcha. A cor branca do volume irregular de concreto foi obtida pela mistura de concreto branco com pedras brancas do rio vizinho. Inaugurado em 2003, o edifício conta com sistema de rampas que interliga os pisos de exposição. O Iberê Camargo não tem uma estrutura convencional, sendo que suas cargas se depositam em paredes maciças de concreto armado branco - Foto: Divulgação
  • Empenas, pilares, lajes, grandes beirais. Esses elementos foram todos erguidos com concreto branco no projeto do arquiteto Mauro Munhoz. Dois motivos o levaram a escolher o material: o concreto armado permite criar grandes vãos, integrando ambientes internos e externos da casa; e, sendo branco, reflete mais a luz na superfície, enfatizando a leveza do projeto, que contrasta com a madeira e o aço corten. Por essa característica, o concreto branco tem a vantagem de oferecer maior conforto térmico, deixando o interior mais agradável. “Queríamos um elemento estrutural que desse mais luminosidade”, conta Mauro - Foto: Andrés Otero
  • Com projeto do arquiteto Álvaro Siza, e criado para abrigar as obras do pintor brasileiro do qual leva o nome, o museu Iberê Camargo fica às margens do Lago Guaíba, na capital gaúcha. A cor branca do volume irregular de concreto foi obtida pela mistura de concreto branco com pedras brancas do rio vizinho. Inaugurado em 2003, o edifício conta com sistema de rampas que interliga os pisos de exposição. O Iberê Camargo não tem uma estrutura convencional, sendo que suas cargas se depositam em paredes maciças de concreto armado branco - Foto: Mathias Cramer
  • O prédio sede da Fundação Iberê Camargo é a obra de referência no Brasil quando o assunto é concreto branco aparente. “Além do impacto plástico, o material oferece alta durabilidade e baixa manutenção”, afirma o engenheiro gaúcho José Luiz Canal, responsável pela execução do projeto. Na época, usar o concreto branco também foi uma experiência nova para Canal, que hoje dá a dica: “é necessário ter um controle sobre a execução muito alto. As fôrmas de madeira - que moldam o concreto na obra - devem ser de compensado naval, de qualidade e com pouco uso” - Foto: Divulgação
  • Com projeto do arquiteto Álvaro Siza, e criado para abrigar as obras do pintor brasileiro do qual leva o nome, o museu Iberê Camargo fica às margens do Lago Guaíba, na capital gaúcha. A cor branca do volume irregular de concreto foi obtida pela mistura de concreto branco com pedras brancas do rio vizinho. Inaugurado em 2003, o edifício conta com sistema de rampas que interliga os pisos de exposição. O Iberê Camargo não tem uma estrutura convencional, sendo que suas cargas se depositam em paredes maciças de concreto armado branco - Foto: Mathias Cramer
  • Canal chama a atenção também para as emendas da concretagem. “Por ser branco, esse concreto mostra todas as imperfeições do processo. Portanto, tudo tem que ser bem construído, vedado, limpo e bem amarrado. Onde houver fugas ele mancha muito e marca o defeito”, aponta o engenheiro. Depois que o concreto é desenformado, vêm limpeza e aplicação de hidrofugante. Este diminui a porosidade (ou permeabilidade) da superfície, sem alterá-la. A manutenção das fachadas é feita com lavagens anuais. Outro detalhe importante é evitar infiltrações e escorrimentos nas paredes. “A água [da chuva] tem que passar pela estrutura de maneira harmoniosa”, lembra Mauro - Foto: Divulgação
  • Ao aceitar fazer parte do empreendimento Ochoalcubo, no Chile, o arquiteto japonês Toyo Ito (ganhador do Pritzker em 2013) acatou duas premissas: o uso do concreto branco e a cobertura plana. A entrada se dá pela parte mais baixa do terreno, sob o bloco que abriga os quartos e se volta para a rua. Este projeto é o primeiro trabalho do japonês Toyo Ito na América Latina. A construção atende, com o bloco dos quartos, ao pedido do empreendimento por formas cúbicas. Mas Toyo Ito deixou sua verdadeira marca na sinuosidade da estrutura de concreto, aspecto que vem explorando com sucesso em sua obra - Foto: Divulgação
  • Arquiteto de primeira viagem com o concreto branco, Mauro foi atrás de consultoria para ajudar na empreitada. “O principal desafio foram as poucas referências, o que gera incerteza, insegurança. A maior parte da mão de obra nunca tinha trabalhado com concreto branco”, conta. Para ele, o material ainda é pouco usado no Brasil porque a cadeia produtiva é muito recente, diferente da do concreto convencional. E o geólogo Arnaldo Battagin, da ABCP, lembra que o cimento branco ainda não é fabricado no Brasil. “Sua desvantagem é depender do fornecimento de produto importado, no que se deve considerar aspectos econômicos e de logística” - Foto: Andrés Otero
  • Com projeto do arquiteto Álvaro Siza, e criado para abrigar as obras do pintor brasileiro do qual leva o nome, o museu Iberê Camargo fica às margens do Lago Guaíba, na capital gaúcha. A cor branca do volume irregular de concreto foi obtida pela mistura de concreto branco com pedras brancas do rio vizinho. Inaugurado em 2003, o edifício conta com sistema de rampas que interliga os pisos de exposição. O Iberê Camargo não tem uma estrutura convencional, sendo que suas cargas se depositam em paredes maciças de concreto armado branco - Foto: Mathias Cramer
  • “O concreto branco, apesar do nome, nunca é absolutamente branco. É um cinza mais claro”, revela Mauro. Na obra, ele topou usar o material desde que custasse até 20% mais que o concreto convencional. “Se fosse totalmente branco – e para isso teríamos que usar quase um mármore branco como pedra na massa -, sairia muito caro.” O tom escolhido era viável e combinaria com o aço corten. No final, não foi necessário usar outro tipo de revestimento. O próprio concreto dá o acabamento e a cor desejada. É outra grande vantagem do material - Foto: Andrés Otero
  • Com projeto do arquiteto Álvaro Siza, e criado para abrigar as obras do pintor brasileiro do qual leva o nome, o museu Iberê Camargo fica às margens do Lago Guaíba, na capital gaúcha. A cor branca do volume irregular de concreto foi obtida pela mistura de concreto branco com pedras brancas do rio vizinho. Inaugurado em 2003, o edifício conta com sistema de rampas que interliga os pisos de exposição. O Iberê Camargo não tem uma estrutura convencional, sendo que suas cargas se depositam em paredes maciças de concreto armado branco - Foto: Fabio Del Re
  • Com projeto do arquiteto Álvaro Siza, e criado para abrigar as obras do pintor brasileiro do qual leva o nome, o museu Iberê Camargo fica às margens do Lago Guaíba, na capital gaúcha. A cor branca do volume irregular de concreto foi obtida pela mistura de concreto branco com pedras brancas do rio vizinho. Inaugurado em 2003, o edifício conta com sistema de rampas que interliga os pisos de exposição. O Iberê Camargo não tem uma estrutura convencional, sendo que suas cargas se depositam em paredes maciças de concreto armado branco - Foto: Mathias Cramer
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