Publicado em 06/09/2016Cobogós voltam a integrar projetos arquitetônicos
O prédio da caixa d´água em Olinda, cidade de origem do artefato, é inteiro construído em cobogóCréditos: Pire/Pref. Olinda

Cobogós voltam a integrar projetos arquitetônicos

Artefato surgiu na década de 30, em Pernambuco, e volta a fazer sucesso na decoração e construção

Grande sucesso nas décadas de 50 e 60, os cobogós voltaram a ser utilizados na composição de ambientes, ganhando destaque especial na última edição da CASA COR – São Paulo.  Sua principal característica é a versatilidade, podendo ser usado na divisão de ambientes para conferir privacidade, garantir a passagem de luz, formar um jogo sombra, permitir a ventilação, esconder alguns ambientes quando não se quer deixá-los totalmente à mostra e auxiliar no aproveitamento de espaços e na sensação de amplitude.

Para ambientes externos, o cobogó de concreto é o mais indicado pela sua resistência e facilidade de limpeza. Além de oferecer baixo custo de manutenção, é de fácil instalação e extremamente durável, tornando-se um grande aliado na economia de energia, pois filtra o sol e garante ventilação permanente.

Michel da Silva Alves, da MAC Artefatos de Concreto, no Rio de Janeiro, começou a fabricar cobogó no ano passado e conta que a peça está fazendo sucesso entre os clientes. “Pude notar um aumento nas vendas, as pessoas estão procurando bastante este artefato”, afirma.

Ele produz cerca de 50 peças por dia utilizando o cimento Obras Especiais – Industrial pelo processo dormido, onde o concreto é colocado em formas de desmontagem posterior, passa a noite descansando e é desmoldado no dia seguinte.

História

O cobogó teve sua origem em Recife, Pernambuco, na década de 30, graças ao alemão Ernest August Boeckmann, radicado na cidade, que em uma viagem à Índia descobriu uma boa oportunidade de ganhar dinheiro. Observando as treliças em madeira que eram utilizadas nas residências daquele país de clima tão quente quanto Pernambuco, ele voltou convencido de que as construções no Brasil deveriam ter elementos vazados que permitissem a circulação do ar.

Com a forte referência do concreto, que era muito utilizado na Alemanha, Ernest percebeu que poderia adaptar o modelo de treliças indianas, substituindo a madeira pelo cimento, e contou com a ajuda do sócio Amadeu Oliveira Coimbra e do engenheiro Antônio de Góis para viabilizar o negócio.

Os empreendedores lançavam mão de fôrmas de ferro como moldes, preenchiam com areia e cimento e fabricavam os cobogós a preços baixos, mas, com o passar do tempo, este método de produção precisou ser aperfeiçoado para oferecer mais resistência e melhor acabamento às peças. Hoje, apesar de também haver modelos batidos na máquina, os clientes continuam preferindo as peças artesanais produzidas a partir de fôrmas de ferro, preenchimento com concreto seco, vibrações e desmoldagem, garantindo um melhor acabamento.

 

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Normas técnicas asseguram as características desejáveis de produtos e serviços

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