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Publicado por Carla Rocha em 18/11/2020Norma Comentada: NBR 7211 – Agregados para concreto – Especificação
Escolher o agregado ideal é fundamental para composição do concreto projetado.Créditos: Shutterstock

Norma Comentada: NBR 7211 – Agregados para concreto – Especificação

O uso inteligente do agregado contribui para a resistência e durabilidade do concreto

Corrigida em 2019, a ABNT NBR 7211 – Agregados para concreto – Especificação descreve os requisitos exigíveis para recepção e produção dos agregados miúdos e graúdos destinados à produção de concretos de cimento Portland.

O texto aplica-se somente aos agregados naturais, ou seja, areia, cascalho e brita extraída de fontes naturais. Publicado em 2009, ele não se aplica, por exemplo, à cerâmica moída, escória de fundição, etc.

Os agregados representam mais de dois terços do concreto, seja em peso, seja em volume. Sua principal função é permitir a economia de cimento, o componente de custo mais elevado do concreto. Muitos o consideram um material inerte e de pouca relevância. Mas o que aconteceria com o concreto se o agregado lentamente se esfarelasse? Ou se o agregado inchasse?

Por isso, é importante que os agregados graúdos e miúdos ocupem da melhor forma possível os locais que o cimento ocuparia. É certo afirmar que o uso inteligente do agregado contribui para a economia, para a resistência e para a durabilidade do concreto.

Requisitos gerais de execução

A norma define como agregado miúdo aquele cujos grãos passam pela peneira com abertura de malha de 4,75 mm e ficam retidos na peneira com abertura de malha de 150 µm, em ensaio realizado de acordo com a ABNT NBR NM 248.

Já o agregado graúdo é definido no texto normativo como aquele cujos grãos passam pela peneira com abertura de malha de 75 mm e ficam retidos na peneira com abertura de malha de 4,75 mm, também em ensaio realizado de acordo com a ABNT NBR NM 248.

Em seu item 4, a ABNT NBR 7211 dita os requisitos gerais dos agregados que serão fornecidos ao consumidor. São eles:

  • Nome do produtor;
  • Proveniência do material;
  • Identificação da classificação granulométrica;
  • Massa do material ou seu volume aparente;
  • Data do fornecimento.

A NBR 7211 prevê, em situações especiais, a possibilidade de uso de agregados fora da especificação. Mas desde que existam estudos que comprovem que tais materiais possam produzir um concreto com qualidade satisfatória. Estas situações são os casos em que não seja economicamente possível a obtenção de agregados que atendam plenamente às exigências desta Norma na região.

Substâncias nocivas

Em duas tabelas, o texto apresenta limites de substâncias nocivas que podem ser encontrados em agregados miúdos e graúdos.

TABELA — Limites máximos aceitáveis de substâncias nocivas no agregado miúdo com relação à massa do material

Determinação Método de ensaio Quantidade máxima relativa à massa do agregado miúdo
Torrões de argila e materiais friáveis ABNT NBR 7218 3%
Materiais carbonosos1) ASTM C 123 Concreto aparente 0,5%
Concreto não aparente 1%
Material fino que passa 3,0 através da peneira 75 µm por lavagem (material pulverulento ABNT NBR NM 46 Concreto submetido a desgaste superficial 3%
Concretos protegidos do desgaste superficial 5%
Impurezas orgânicas2) ABNT NBR NM 49 A solução obtida no ensaio deve ser mais clara do que a solução-padrão
ABNT NBR 7221 Diferença máxima aceitável entre os resultados de resistência à compressão comparativos 10%
1) Quando não for detectada a presença de materiais carbonosos durante a apreciação petrográfica, pode-se prescindir do ensaio de quantificação dos materiais carbonosos (ASTM C 123).

2) Quando a coloração da solução obtida no ensaio for mais escura do que a solução-padrão, a utilização do agregado miúdo deve ser estabelecida pelo ensaio previsto na ABNT NBR 7221

 

Tabela — Limites máximos aceitáveis de substâncias nocivas no agregado graúdo com relação à massa do material

Determinação Método de ensaio Quantidade máxima relativa à massa do agregado graúdo
Torrões de argila e materiais friáveis ABNT NBR 7218 Concreto aparente 1%
Concreto sujeito a desgaste superficial 2%
Outros concretos 3%
Materiais carbonosos1) ASTM C 123 Concreto aparente 0,5%
Concreto não aparente 1%
Material fino que passa através da peneira 75 µm por lavagem (material pulverulento)2), 3) ABNT NBR NM 46 1%
1) Quando não for detectada a presença de materiais carbonosos durante a apreciação petrográfica, pode-se prescindir do ensaio de quantificação dos materiais carbonosos (ASTM C 123).

2) Para agregados produzidos a partir de rochas com absorção de água inferior a 1%, determinados conforme a ABNT NBR NM 53, o limite de material fino pode ser alterado de 1% para 2%.

3) Para agregado total, definido conforme 3.6, o limite de material fino pode ser composto até 6,5%, desde que seja possível comprovar, por apreciação petrográfica, realizada de acordo com a ABNT NBR 7389, que os grãos constituintes não interferem nas propriedades do concreto. São exemplos de materiais inadequados os materiais micáceos, ferruginosos e argilo-minerais expansivos.

 

Possíveis pontos para revisão

Embora seja uma norma de uso consolidado pelo setor, a ABNT NBR 7211 possui alguns pontos que poderiam ser aprimorados. Um exemplo é justamente a nota 3 da tabela acima, indicando que o agregado total (areia e brita) pode ter até 6,5 % de material passante em 75 µm, desde que a análise pela NBR 7389 comprove que esses grãos não interfiram com as propriedades do concreto. A NBR 7389-1, porém, não analisa o material abaixo de 150 µm, muito menos 75 µm. Isto precisa ser revisto.

Além disso, ainda com relação ao agregado graúdo, a norma especifica um valor máximo de 50% de perdas no ensaio de abrasão “Los Angeles” (ABNT NBR NM 51:2001). Para muitas rochas, como os granitos e gnaisses, este valor é suficiente para garantir uma boa resistência ao concreto. No entanto, para rochas como basaltos e calcários, este limite deveria ser menor. A ABNT NBR 5564 – Via férrea – Lastro ferroviário – Requisitos e métodos de ensaio  já está em revisão levando este aspecto em conta e deve ter a sua nova versão publicada ainda em 2020.

Autor: Eduardo Brandau Quitete, Geólogo, pesquisador do Laboratório de Materiais de Construção Civil do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo).

 

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