Publicado em 09/06/2015Canteiro de obras sem crise

Canteiro de obras sem crise

Construtoras reusam água da pia em mictórios para contornar falta d’água e aumento das tarifas

Em São Paulo, construir ficou ainda mais caro. Nos últimos seis meses, a conta de água na capital aumentou mais de 20% e, não à toa, muitas construtoras começaram a rever suas operações no canteiro de obras a fim de contornar os aumentos – e a escassez do recurso, com a queda crônica do nível nas represas.

A MRV, por exemplo, tem apostado no reuso de água das pias e da lavagem de betoneiras, além de coletar água pluvial para fazer andar os serviços nos canteiros. “A água das pias é reaproveitada em mictórios; a da betoneira e a de chuva vão para atividades diversas na obra”, relata Flávio Vidal, gestor executivo de controle, assistência técnica, qualidade, inovação, pesquisa e desenvolvimento da construtora. “Também fazemos uso de um poço artesiano, instalado conforme dita a legislação – é um jeito de reduzir o consumo de água potável fornecida pela concessionária.”

O reaproveitamento de água da pia para mictórios têm funcionamento simples e atende à NR-18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção, assim como no caso das betoneiras. “O reuso da água da lavagem dos caminhões-betoneira também ajuda a reduzir muito o consumo de água potável; o processo conta com células de decantação, filtragem, bombeamento e armazenagem”, explica Vidal.

Outras medidas positivas têm trazido bons resultados para os canteiros de obras, como a instalação de equipamentos economizadores – caixas d’água provisórias, bacias sanitárias com caixa acoplada e vazão para três e seis litros, torneiras com temporizadores e reservatórios extras para a coleta de água de chuva. “Os reservatórios de coleta são essenciais, porém só viabilizados a partir de orientações técnicas muito detalhadas. A manutenção não pode ser negligenciada, para evitar contaminações que comprometam a obra e a saúde dos contratados”, diz Vidal.

Já quanto aos equipamentos economizadores, a MRV optou por torneiras pressmatic, de acionamento hidromecânico, com leve pressão da mão e fechamento automático temporizado. Bacias sanitárias dual flush também têm dado bons resultados na conta de água.

Para quem busca informações sobre como melhorar o sistema hídrico de obras, a Agência Nacional das Águas (ANA) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) publicou na internet uma cartilha sobre Conservação e Reúso de Água em Edificações.

Revisado para reimpressão, o documento traz dicas de como fazer uma melhor gestão do recurso, cada vez mais escasso em canteiro de obras, desde o projeto de uma edificação, passando pela especificação dos materiais, até a execução da obra. Segundo o vice-presidente de tecnologia e qualidade do Sinduscon-SP, Jorge Batlouni, um projeto bem pensado pode ser a melhor solução, se o intuito for ampliar a economia de água.

Para ele, trocar a alvenaria artesanal por sistemas industrializados como o gesso acartonado ou os painéis cimentícios nos fechamentos ajuda muito a evitar desperdícios. Afinal, são sistemas prontos, montáveis, e que não requerem água em seu processo de execução.

Ergonomia é imprescindível para manter seus funcionários longe de lesões e doenças ocupacionais nos canteiros de obras 

Botão Site

 

Compartilhe esta matéria

Veja também

X