Publicado em 24/09/2015Arquitetura paramétrica é uma opção sustentável para fachadas de bloco de concreto
A computação paramétrica foi usada tanto para gerar opções relacionais diferentes entre geometria e desempenho ambiental quanto para obter um método de construção da fachada no projeto CoBLOgó do SUBdVCréditos: Rodrigo Chust

Arquitetura paramétrica é uma opção sustentável para fachadas de bloco de concreto

Fábrica de brinquedos na Grande São Paulo tem arquitetura paramétrica para fachada de blocos de concreto

Originada por diversos dados, provenientes de estudos de carta solar, ventos e, até mesmo, diretrizes estéticas, a arquitetura paramétrica tem como objetivo gerar um desenho que considera informações e parâmetros, ao final. Os programas de computador são responsáveis por analisar as variáveis determinadas pelo arquiteto para criar a geometria.

A computação paramétrica é aquela que processa, ao mesmo tempo, dados advindos de variadas fontes, para uma determinada finalidade. Portanto, na arquitetura paramétrica, o esquema tradicional que envolve plantas e cortes não é utilizado e, muitas vezes, as informações, ao final, reproduzem um efeito gráfico.

Projeto da SUBdV – Arquitetura Paramétrica

O projeto da SUBdV Arquitetura para uma fábrica de brinquedos em Taboão da Serra, Grande São Paulo, ilustra o que a computação paramétrica é capaz de fazer pela qualidade da construção civil. O desenho para volume em blocos de concreto foi desenvolvido em três etapas: computação paramétrica, simulação ambiental e aquilo que se chama de fabricação digital, pela metodologia High Low.

“High é a tecnologia usada para gerar arquitetura paramétrica por computação; Low corresponde a guias produzidas, que servem a qualquer mão de obra, mesmo que não qualificada, para auxiliar no processo de execução da fachada de blocos de concreto”, explica o arquiteto Franklin Lee. O método também pode ser aplicado para painéis arquitetônicos pré-fabricados e até mesmo no design de mobiliário.

O nível de aprofundamento no estudo da fachada resultou em um controle ambiental eficiente, que permite tanto a filtragem controlada de raios do sol sobre as faces sul e oeste, como também cria massa crítica para evitar a entrada de ar quente nos escritórios da fábrica.

A face norte do novo bloco fica encostada no edifício pré-existente, portanto, protegida do sol, e a orientação leste permanece livre, porque protegida por sombras de árvores e um muro vizinho – o que permite ventilação natural cruzada dentro do volume recém-construído.

A computação paramétrica pode ser usada tanto para gerar opções relacionais diferentes entre geometria e desempenho ambiental, como para construir fachadas. No caso da fábrica de brinquedos, verdadeiros scripts de arquitetura paramétrica geraram graduações de aberturas, o que se explica pela rotação e espaçamento variável entre os blocos de concreto.

Variações das aberturas foram testadas com software de simulação ambiental, para verificar quais formatos dariam uma melhor iluminação natural indireta, combinada com o melhor sombreamento. “A temperatura no escritório é muito agradável e a disposição dos blocos de concreto gera um efeito interessante de luz e sombras”, conta Lee.

Fatores como estrutura e facilidade de execução, aliados à construção de protótipos ao longo do processo de projeto, foram cruciais para a escolha do material de fachada.

Já para a montagem, in loco, foram geradas ‘guias’ de papelão cortados a laser, usadas no posicionamento dos blocos de concreto, a fim de simplificar o trabalho operacional. “O mestre de obras só precisou colocar os blocos adjacentes às guias e vergalhões intercalados, para obter integridade estrutural do volume”, descreve o arquiteto da SUBdV.

“Nossa ideia era ‘tropicalizar’, com o uso do bloco de concreto, a aplicação deste procedimento de pesquisa que liga computação paramétrica e fabricação digital ao canteiro de obra, com matérias-primas e métodos de construção de baixa tecnologia, dando uma identidade nova e brasileira ao design digital”, justifica.

Segundo o porta-voz do escritório de arquitetura, a fachada ilustra um conceito desenvolvido pelo SUBdV chamado environmental ornamentation, ou ornamentação ambiental, onde o ornamental não é apreendido apenas como decoração, mas também como elemento funcional ao uso interno, produzindo uma nova estética.

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