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Publicado por Votorantim Cimentos em 17/12/2025Como resíduos não recicláveis são usados na produção de cimento
No coprocessamento, os resíduos não recicláveis são usados como combustível alternativo no lugar de fontes fósseis.Créditos: Shutterstock

Como resíduos não recicláveis são usados na produção de cimento

Tecnologia do coprocessamento oferece um destino seguro e sustentável ao incorporar esses materiais na indústria cimenteira.

Com o aumento do volume de resíduos descartados nas últimas décadas, cresce também a necessidade de soluções capazes de lidar com materiais que não podem ser reaproveitados pelos métodos tradicionais de reciclagem.

O coprocessamento é uma alternativa sustentável que oferece um destino seguro a resíduos não recicláveis, visando reduzir o impacto socioambiental de descartes inadequados.

Por meio dessa tecnologia, materiais como pneus velhos, plásticos contaminados e embalagens metalizadas são incorporados à indústria do cimento e se transformam em energia, substituindo parte dos combustíveis fósseis.

Entenda melhor o que são os resíduos não recicláveis, como funciona o coprocessamento e por que essa solução está revolucionando a gestão de resíduos no país.

O que são resíduos não recicláveis?

Resíduos não recicláveis são aqueles que, por suas características físicas ou químicas, não podem ser reaproveitados em processos tradicionais de reciclagem. 

Alguns exemplos comuns são:

  • Fraldas descartáveis.
  • Papéis engordurados.
  • Cerâmicas quebradas.
  • Embalagens com mistura de materiais.
  • Pneus inservíveis.

Na maioria dos casos, o que inviabiliza a reciclagem é o estado em que o material se encontra. Guardanapos sujos, potes com restos de comida ou papéis encerados, por exemplo, perdem a chance de reaproveitamento por estarem contaminados ou reunirem diferentes tipos de componentes.

Quando descartados incorretamente, esses resíduos acabam em lixões ou aterros e podem trazer sérios riscos ao solo, à água, ao ar e à saúde pública. 

Nessa lógica, o coprocessamento surge como uma tecnologia segura para oferecer um destino mais inteligente e sustentável para esse tipo de material.

Como funciona o coprocessamento na produção de cimento?

Na fabricação do cimento, os fornos precisam atingir temperaturas acima de 1.450 °C para produzir o clínquer, seu principal componente. 

Essa condição extrema é ideal para eliminar resíduos não recicláveis, que são usados como combustível alternativo no lugar de fontes fósseis, como o coque de petróleo.

Durante o coprocessamento:

  1. Os resíduos passam por triagem, análise de composição química e verificação de sua interação com o clínquer após a queima.
  2. São introduzidos nos fornos de cimento.
  3. Servem como fonte de energia térmica para a produção do clínquer.
  4. São totalmente destruídos, sem gerar passivos ambientais.

A etapa de análise dos resíduos é fundamental porque nem todo material pode ser coprocessado. 

Se a composição indicar alguma interação química negativa com o clínquer, o resíduo não é autorizado a entrar nos fornos, pois isso poderia comprometer a qualidade do produto final ou todo o processo produtivo. Essa avaliação garante segurança, estabilidade operacional e preservação das características do cimento.

Além de reduzir o volume de resíduos enviados a aterros, o coprocessamento diminui a emissão de gases de efeito estufa e o consumo de combustíveis fósseis.

Um caso de sucesso dessa tecnologia é a parceria entre a Verdera, unidade de gestão de resíduos da Votorantim Cimentos, e a empresa Ecopneu, no Tocantins.

Pneus inservíveis coletados em ecopontos da Ecopneu são processados e enviados para a fábrica da Verdera em Xambioá (TO). Lá, os pneus se transformam em energia, substituindo parte do combustível nos fornos de cimento.

Além de garantir uma destinação mais correta para esses resíduos, a iniciativa ajuda a combater vetores de doenças, como dengue e zika vírus, que podem se reproduzir em pneus no meio ambiente.


O uso de resíduos não recicláveis na produção de cimento mostra que até materiais sem possibilidade de reciclagem podem ganhar uma nova função e oportunidade. 

Ao unir eficiência industrial e responsabilidade socioambiental, o coprocessamento transforma o problema do descarte em parte da solução.

Por isso, destinar corretamente esses resíduos deve ser um compromisso compartilhado. Quanto mais empresas e cidadãos buscarem soluções sustentáveis, maior será o impacto positivo para o meio ambiente e a sociedade.

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