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Publicado em 05/05/2017Norma de Desempenho em paredes de blocos de concreto
As paredes de blocos de concreto são amplamente utilizadas na construção civil e precisam respeitar todas as diretrizes da normaCréditos: Lou Oates/shutterstock.com

Norma de Desempenho em paredes de blocos de concreto

O engenheiro Arnoldo Wendler fala sobre os principais aspectos do desempenho dos blocos de concreto

A Norma de Desempenho NBR 15.575 chegou para modificar nossos conceitos de projeto e construção de nossas edificações. O ponto principal desta norma é que ela não é uma norma prescritiva, que fixa tipo e qualidade de materiais, espessuras mínimas, etc. Ela fixa os parâmetros mínimos para o desempenho global da edificação, sem dizer como alcança-lo.

Isso será de responsabilidade de toda a cadeia integrada, desde os projetistas, fornecedores de materiais, instaladores, mão de obra em geral, até o engenheiro da obra e responsável pela construtora. Por exemplo: no conforto térmico, para dias quentes, ela simplesmente especifica que a temperatura interna do ambiente não poderá ser superior à temperatura externa. Como alcançar isso? Aí entram os profissionais, especialmente arquitetos e engenheiros.

De uma maneira geral, ela divide as necessidades a serem atingidas em segurança, habitabilidade e sustentabilidade. Para as paredes de blocos de concreto os principais elementos de referência são a norma de projeto e construção, NBR 15.961, e o Manual de Desempenho – Alvenaria de Blocos de Concreto, em sua segunda edição, produzido pela ABCP, BlocoBrasil e Sinaprocim.

O cumprimento de todos os itens da NBR 15.961 já garante os requisitos estruturais, tensões e deformações, e também a vida útil mínima de 50 anos. Como a parede é um elemento estrutural, planejada e calculada, os ensaios mecânicos passam com muita facilidade: corpo mole, corpo duro, arrancamentos e ações transmitidas por portas. Os demais itens têm que ser verificados levando em conta todo o conjunto do ambiente.

A segurança contra incêndio vai depender também dos revestimentos da parede para atingirmos os requisitos de estabilidade, estanqueidade (para-chamas) e isolação térmica (corta-fogo). Uma parede de blocos de concreto de 14 cm, revestida com argamassa cimentícia de 15 mm, nas duas faces, tem, segundo os ensaios relatados no Manual, estabilidade por 120 min , estanqueidade por 120 min e isolação térmica por 107 min.

A estanqueidade da alvenaria é muito boa, mas devemos observar o conjunto com a esquadria. Ela pode ter vazamentos entre as lâminas e os trilhos ou também entre a esquadria e a alvenaria. Percebe-se que temos que buscar não só materiais de melhor qualidade, mas também melhores técnicas construtivas de instalação.

Agora, dois pontos polêmicos: conforto térmico e conforto acústico. O conforto térmico deve ser atendido para as 8 zonas bioclimáticas definidas pela NBR 15.220, desde a mais fria de altitude (Z1) até a quente e úmida (Z8). A transmitância térmica da parede de blocos de concreto leva à análise computacional do conjunto da edificação. Para isso precisamos definir com precisão todos os elementos envolvidos: espessura, revestimento e cor das paredes externas e internas, pé direito, telhado, espessura de laje e todas as características das esquadrias: tamanho, sombreamento e ventilação.

No exemplo mostrado no Manual observa-se que as paredes de bloco de concreto têm um bom desempenho térmico, passando com condições mínimas ou médias, desde que se tenha sombreamento e/ou ventilação nas esquadrias.

O conforto acústico deve ser atingido em diferentes classes de ruído externo. Quanto mais barulhento for o exterior, maior será o requisito para as paredes. Este valor varia também dependendo do tipo de ambiente, sendo mais rigoroso para os dormitórios que para as salas. Os resultados apresentados no Manual mostram que precisamos ter bastante cuidado na especificação das paredes dos dormitórios, ficando as demais situações atendidas no nível inferior previsto na Norma de Desempenho.

Uma grande discussão, de todos os sistemas construtivos é o ruído de impacto na laje. Várias soluções são tentadas, desde o aumento da espessura da laje ou do contrapiso, até materiais de amortecimento acústico. O que se observa é que as lajes de ambientes pequenos, típicos das habitações de interesse social, não apresentam problema deste tipo de ruído, com as espessuras mínimas de laje normalmente utilizadas.

Para finalizar, devemos nos atentar para um importante ponto da norma de desempenho. Para garantir a vida útil das unidades é necessário fazer a manutenção das mesmas. E essa manutenção é responsabilidade do usuário. É a primeira vez que uma norma coloca o próprio usuário como responsável por seu imóvel.

*por Arnoldo Wendler, engenheiro civil pela Escola Politécnica (Poli) da USP (1977); pós-graduação em Engenharia de Estruturas pela Poli-USP; ex-professor da Poli-USP em Resistência dos Materiais e Concreto Armado; ministrou matéria de Alvenaria Estrutural da UNICAMP em convênio com a ABCP; Diretor da Wendler Projetos e Sistemas Estruturais, em Campinas; Coordenador da Norma Brasileira de Paredes de Concreto – NBR16055; Integrante da comissão de revisão da Norma de Alvenaria NBR 15.961; Coordenador de Alvenaria Estrutural nas comunidades da construção de Campinas, Belo Horizonte, Brasília , Goiânia, São José dos Campos e Sorocaba; palestrante de alvenaria estrutural e paredes de concreto pela ABCP, Sinduscon’s e várias entidades.

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