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Publicado em 18/01/2016BIM terceirizado

BIM terceirizado

Escritórios pequenos já podem contratar consultoria completa para desenvolver um único projeto BIM

Os custos de implantação do BIM (Building Information Modeling ou Modelagem de Informações da Construção), são altíssimos, mas não precisam mais tirar de cena os pequenos e médios escritórios que queiram concorrer em obras de grande porte. Segundo o engenheiro Luis Eduardo Guillen, diretor de serviços BIM para a América Latina da Engworks, qualquer construtor, incorporador ou projetista já pode contratar serviços terceirizados para um projeto específico. “Nem todos conseguem fazer o investimento inicial no sistema – um complexo de softwares que requer muito tempo, preparo e treinamento de mão de obra.” É a chamada terceirização de profissinais BIM ou On Site Support (OSS).

Empresas como a Engworks estabelecem uma relação contratual para alocar um ou mais profissionais no escritório do cliente. “São empresas detentoras de todo o know how e da tecnologia BIM – portanto, que acompanham evoluções tecnológicas, e estão sempre atualizadas”, esclarece. Funciona quase como um “empréstimo” de profissionais capacitados. O escritório que não possui estrutura nem recursos humanos para trabalhar com o BIM, ao entrar num projeto onde essa base tecnológica seja um requisito, pode contratar os serviços BIM necessários apenas para a execução daquele projeto.

“Os serviços prestados são previamente combinados. Nós não implantamos o BIM para o cliente; apenas mandamos profissionais e, no caso de dúvidas, ou de problemas, ele conta com todo o suporte tecnológico da empresa contratada.” É, sem dúvida, um jeito fácil de “quebrar o galho”, até que haja caixa suficiente para implantar o sistema por conta própria. Ter um profissional especializado dentro de casa melhora a comunicação da equipe com a nova metodologia de trabalho, além de atender de perto demandas das equipes de projeto e de obra – com um melhor aproveitamento do BIM.

“Trata-se de uma consultoria completa. A terceirização dos serviços não deixa de ser uma importação de know how para dentro do escritório contratante e, desta forma, deve ser entendida também como um passo importante na implementação de todo o sistema”, pondera o engenheiro. A vantagem é que, ao final, o pequeno empresário também tomará contato com a tecnologia, e aprenderá muito sobre ela.

De dentro para fora

No Brasil, ainda há resistência à implantação do BIM nos canteiros de obra, pois a cultura artesanal de trabalho está muito arraigada. “É algo difícil de mudar”, critica Guillen. Em países como Cingapura, onde essa passagem já aconteceu, os primeiros esforços se concentraram em convencer engenheiros e arquitetos envolvidos na construção sobre a relevância do uso da ferramenta, para que se destacassem da concorrência.

Para mudar a realidade, no entanto, foi preciso muito empenho e políticas públicas de incentivo: “Tivemos também outras barreiras a vencer, como mostrar aos profissionais que o BIM é uma nova regra de mercado, uma evolução do CAD, além de oferecer subsídios de um fundo de governo para o alinhamento do nosso setor construtivo a padrões internacionais”, relata Sonny Andalis, consultor técnico da agência que regula a construção de edifícios em Cingapura (BCA).

Ele acredita que o governo brasileiro também terá de investir nesses esforços. “Não basta alocar fundos para ajudar empresas ingressantes nesse mercado; é preciso também tornar o uso do BIM obrigatório, em qualquer projeto de interesse público – o que por consequência obrigaria as faculdades de engenharia a adequar o seu currículo.” O conselho que Andalis dá aos empresários do setor é que tenham mente aberta às novidades. “Devem começar selecionando os principais engenheiros de suas equipes para treinamentos. Depois, esses mesmos engenheiros treinarão outros funcionários da empresa. É preciso começar.”

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