Votorantim Cimentos
Publicado em 13/02/2017Varejo familiar sobrevive ao tempo e mostra força no mercado
De um barracão de blocos de concreto a um home center de sucesso, o Depósito Zona Sul é um exemplo de sucesso de varejo familiarCréditos: Visia

Varejo familiar sobrevive ao tempo e mostra força no mercado

No Brasil, varejo familiar é mais comum do que se imagina. 77% das lojas de materiais de construção são pequenas e médias

O varejo foi desenhando formatos diferentes e percorrendo novos caminhos para encontrar maneiras de sobreviver a tempos econômicos difíceis e à concorrência acirrada no mercado. Mas ainda é possível encontrar exemplo de sucesso em modelos mais tradicionais e, literalmente, de família.

São comércios que tiveram início de maneira pequena e conservadora, romperam barreiras ao longo dos anos, passaram de geração para geração e hoje são verdadeiros casos de sucesso, graças à experiência e sabedoria dos membros da família mais velhos aliada à determinação e frescor dos mais jovens.

Na construção civil, o varejo familiar é muito comum. “A família tinha um dinheiro sobrando, investiu em um pequeno depósito de material de construção que, mais tarde, se tornou o negócio da família e passou de geração para geração. Muitas lojas do nosso setor já estão na quarta ou quinta geração”, afirma Claudio Conz, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco).

Engana-se quem pensa que o varejo de material de construção no Brasil é formado por grandes lojas: 77% delas são pequenas e médias. Na maioria, são lojas que são ou já foram familiares. Conz explica que as lojas pequenas têm um perfil mais de loja de reposição. “O consumidor pode até fazer a compra maior nas lojas grandes, mas ele recorre às pequenas e médias para repor os materiais que estão acabando ou para fazer alguma compra de emergência”.

Ontem barracão, hoje home center

A Avenida Interlagos ainda era chamada de Auto Estrada Interlagos, no ano de 1969, quando Francisco Barbosa alugou um terreno, levantou um barracão com blocos de concreto e abriu o Depósito Zona Sul. “Eu já trabalhava no ramo, era vendedor em outra loja, quando resolvi fazer uma tentativa, ao lado de um irmão e mais três pessoas, embora não tivesse dinheiro para investir e apoio”, lembra Francisco.

Mesmo parecendo um negócio arriscado, o futuro era promissor. “O bairro (Jardim Marajoara, próximo a Interlagos, em São Paulo) estava em pleno desenvolvimento e não havia lojas de material de construção por aqui”, explica Barbosa. E não demorou muito para o negócio prosperar e dar início a uma história de sucesso.

Hoje, o Depósito Zona Sul está na categoria de home center e conta com 380 funcionários. Francisco Barbosa permanece na gestão do negócio e recebe auxílio de três filhos: Luiz Augusto, responsável pelo setor de Tecnologia da Informação (TI); Eduardo, da área comercial; Cláudia, que comanda o Departamento Financeiro; do irmão Nelson, chefe do pátio; e mais dois sobrinhos.  A terceira geração já começou a trabalhar na loja e logo ganhará mais atribuições e responsabilidades.

O Mapa da Obra conversou com um dos filhos de Francisco Barbosa, que contou um pouco mais da história da loja, acompanhe.

Mapa da Obra – Como descreveria a história da loja?

Luiz Augusto – Quando foi fundada, a empresa atuava na área de indústrias. Com a diminuição destas, se focou em outros segmentos: construtoras, engenharias, arquiteturas e público final. Foram diversas mudanças, sempre focando na melhora do desempenho do trabalho. No início, as entregas eram locais, até feitas em carrinhos de mão, e eram difíceis, pois a região era periferia e tinha infraestrutura muito ruim. Houve melhora na infraestrutura da cidade, na gestão, tecnologia, métodos e colaboradores da empresa, nos dando a impressão de que éramos amadores no início. É uma evolução natural da qualidade, know-how e tamanho da empresa. Hoje contamos com uma frota de mais de 50 veículos e expertise de mercado.

MDO – Quais são os principais desafios de um negócio familiar?

Luiz – Às vezes, é difícil separar família do negócio e vice-versa, é um exercício constante. Mas acreditamos que a educação dada em nossa casa influenciou diretamente no desempenho da empresa, não há discussões, é tudo posto na mesa e conversado. A sucessão não é para ser difícil, só é se há egos inflados presentes. Isso não acontece aqui.

MDO – O que pode destacar em um negócio familiar?

Luiz – É bem difícil responder essa questão, mas acredito que se resume a: ser dono de seu próprio negócio e ser pessoas de bem.

Leia também: 10 dicas para o sucesso do seu varejo

Compartilhe esta matéria

Mais lidas

Veja também