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Publicado em 20/02/2018Quando o uso do painel fotovoltaico vale a pena?
Painéis fotovoltaicos podem ser usados no telhado ou solo, mas não são indicados para fachada, pois o sol não atinge os módulos na verticalCréditos: PHOTOMDP / shutterstock.com

Quando o uso do painel fotovoltaico vale a pena?

Sistemas de microgeração de energia se popularizaram após resolução da Aneel, mas é preciso realizar uma série de análises antes de instalá-los

A instalação de sistemas de microgeração de energia, como o painel fotovoltaico, beneficia pessoas físicas que podem gerar sua própria energia e repassar o excedente produzido para a rede pública de distribuição, o que ocasiona abatimento do consumo futuro. A decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), de 2012, objeto da Resolução Normativa nº 482 e sua revisão na Resolução Normativa 687, de 2015, resulta em economia na conta de luz. “É importante deixar claro que não se trata de venda, mas de compensação de energia”, explica o engenheiro Bruno Mota, sócio-diretor da Clareon – Energia Solar Fotovoltaica.

 

Por exemplo, uma residência que consumiu 1 mil kWh e injetou na rede 800 kWh será cobrada somente pela diferença de 200 kWh. Se em algum mês a quantidade de energia injetada for maior do que a consumida, o morador recebe crédito para abater dos valores futuros. Ou seja, a distribuidora nunca compra energia, apenas cria um banco de descontos.

 

Funcionamento do sistema

Nos últimos anos, o painel fotovoltaico foi o que mais se popularizou. A solução é composta pelos módulos, que captam a energia solar; inversores, que transformam a corrente contínua gerada em alternada – a mesma da distribuidora; e estrutura, responsável por suportar o conjunto. Há, ainda, os cabos que interligam os equipamentos e os conectam ao painel elétrico da edificação.

 

“A tecnologia funciona com ou sem céu azul. Porém, sombras causadas por nuvens ou prédios próximos reduzem em cerca de 80% o desempenho do sistema”, diz o especialista. O calor não é o responsável pela operação da solução, mas sim a incidência direta da luz solar. “É até mais interessante o clima frio, pois a temperatura alta acaba gerando perdas nos módulos”, completa.

 

Dependendo da disponibilidade no terreno, o sistema pode ser alocado no solo ou nos telhados. “Já a instalação nas fachadas não é recomendada no Brasil. Por sua posição em relação à linha do Equador, o sol passa mais alto e não atinge diretamente os módulos se forem instalados na vertical”, afirma Mota, comentando que essa alternativa é indicada para locais mais ao norte do planeta, como na Europa.

 

A instalação do sistema fotovoltaico é bastante simples e não implica grandes reformas. No entanto, antes de começar qualquer obra, o projeto precisa ser aprovado pela distribuidora de energia. “Para conseguir a autorização, são necessários outros documentos, como Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), memorial descritivo e informações sobre os módulos e inversores”, enumera. Toda a burocracia é de responsabilidade da empresa que realizará a instalação.

 

Depois que o sistema estiver concluído, a distribuidora envia o funcionário para conferir se a solução condiz com os dados presentes no projeto. Somente após a vistoria, a distribuidora instala o relógio bidirecional e o sistema é ligado. “Todo o procedimento demora cerca de dois meses”, comenta o especialista.

 

A principal manutenção que o sistema exige é a limpeza, que deve acontecer de uma a duas vezes ao ano e é realizada pelo próprio usuário, com pano umedecido em água. “Os fabricantes dos módulos dão garantia de fabricação de dez anos. Já o prazo de garantia de performance chega a 25 anos. Isso quer dizer que, no período, a perda máxima de rendimento será de 20%”, fala Mota.

 

Painel fotovoltaico na prática

O engenheiro explica, através de uma simulação, o desempenho econômico do sistema: “Em uma casa de médio padrão, localizada em Brasília e habitada por quatro pessoas que consomem, em média, 1,1 mil kWh, foi instalado sistema fotovoltaico de 6,4 kW de potência. O conjunto é composto por 20 módulos de 320 W e inversor de 5 kW. Com isso, é capaz de gerar no ano 10,653 mil kWh, uma média de 887 kWh por mês. Ou seja, a solução abate 887 kWh de um consumo de 1,1 mil kWh”.

 

Esse sistema custa R$ 32 mil e o tempo de retorno do investimento (payback) será de cinco anos. O payback é calculado através da multiplicação da energia gerada pela tarifa vigente. Assim, é possível conhecer o valor economizado mensalmente. Isso considerando que a tarifa, ao longo do período, vai acompanhar o índice de inflação. Porém, se acontecerem reajustes acima da inflação, o tempo de retorno será menor.

 

É sempre importante que o painel fotovoltaico gere um pouco menos de energia do que a quantidade consumida, pois o consumidor sempre pagará para a distribuidora o valor referente à disponibilidade. “O bom dimensionamento é aquele que, ao fim de 12 meses, tem menos energia produzida do que a consumida”, finaliza Mota.

 

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